Num relato feito na primeira pessoa, ao 'The Players Tribune', Nani contou as dificuldades porque passou antes de se tornar jogador de futebol.

O extremo do Orlando City diz-se um privilegiado por ter descoberto um dom, depois de uma infância marcada pela fome.

"Quando era muito novo, fiquei convencido que tinha um dom, que Deus me tinha escolhido para ser futebolistas. Vivia com a minha mãe e os meus oito irmãos, numa casa cheio de buracos, com ratos e lagartixas. Não tínhamos nada que comer e fazíamos pela vida. (...) Um dia o meu pai viajou para Cabo-Verde...as semanas foram passando e nunca mais regressou. Não podia estar zangado, gostava demasiado dele para fica chateado. (...) A fome é difícil de explicar. Às vezes pensamos naqueles pobres miúdos em África. Mas tente-se experienciar isso. Tenta ter a sensação de ter a boca seca, e de ter o estômago a gritar, uma dor tão grande que parece que te está a cortar a pele. (...). Um dia o meu irmão Paulo Roberto teve a ideia de ir pedir comida aos bairros ricos de Lisboa. Deram-nos muita coisa e ainda nos convidaram para entrar. Ainda fizemos amigos. Gostaram de nós, porque escolhemos não roubar. Éramos honestos. Um dia tivemos a ideia de pedir para a porta da Pizza Hut. Disseram-nos que não tinham nada. Mas quando estávamos a sair, uma mulher ofereceu-nos uma pizza fresca. (...) Ainda hoje sinto o sabor daquela pizza", escreveu.

Nani recordou ainda como poderia ter ido parar ao Benfica.

"Foi uma loucura. À segunda treinava num nos dois maiores clubes de Lisboa e à quarta treinava no outro. (...) Depois do verão, recebi uma mensagem do Sporting: 'Aparece está cá às 10h00. E também recebi uma mensagem do Benfica: 'Aparece amanhã às 10h00'. Respondi que sim às 10h00. Podia ter escolhido o Benfica, mas tinha muitos amigos no Sporting e conhecia o treinador. Voltei lá e joguei muito bem num torneio de pré-época. Dois dias depois, o treinador foi ter comigo e disse-me. 'Nani, eu sempre soube que tu ias ficar connosco.' No Sporting, resolvi todos os meus problemas financeiros', lembra.

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