O antigo treinador Vicente del Bosque admitiu hoje que a seleção espanhola de futebol que conquistou o título Mundial há 10 anos era “um grupo unido, inteligente e com arte”, mas também “teve muita sorte”.

“Foi um feito histórico, um título que nunca tínhamos conseguido em 100 anos de história, com grandes gerações de futebolistas. Tínhamos uma equipa com um estilo de jogo competitivo, que dava gosto ver jogar, mas, sobretudo, tivemos muita sorte”, disse Del Bosque, em entrevista à agência de notícias espanhola EFE.

Del Bosque, que chegou à seleção dois anos antes, logo depois de Luis Aragonés ter levado a ‘roja’ à conquista do título europeu em 2008, admitiu que o grupo não tinha “uma estrela”, mas muitos líderes naturais, como Puyol, Sérgio Ramos, Piqué ou Xavi.

“A liderança era de todos e espontânea, tendo por base o percurso de cada um. Éramos um grupo muito unido e inteligente. Acreditávamos uns nos outros”, afirmou o técnico, que dois anos depois levou a Espanha à conquista do segundo título europeu consecutivo.

Del Bosque, que fez quase toda a carreira de treinador no Real Madrid, admitiu que em 2010, no Mundial da África do Sul, a Espanha era vista como uma das favoritas devido ao seu estilo de jogo, caracterizado pelo toque curto (o denominado ‘tiki-taka’), e ao título de campeã europeia conquistado dois anos antes.

“Os jogadores sentiam-se cómodos com essa forma de jogar e um treinador deve fazer tudo para que os jogadores se sintam bem em campo”, afirmou.

Depois de ter vencido o grupo H na primeira fase da competição, a Espanha encontrou Portugal nos ‘oitavos’, e garantiu a passagem aos ‘quartos’ com um golo polémico de David Villa (1-0), em alegado fora de jogo.

Até à final, na qual derrotou os Países Baixos, com um golo de Iniesta no prolongamento, a Espanha afastou da competição o Paraguai e a Alemanha, vencendo sempre pela margem mínima.

“Tivemos adversários muito fortes, Portugal, de Cristiano era uma equipa muito forte, e poucos anos depois foi campeão europeu. Tivemos sorte no golo ‘no limite’ [aos 83 minutos] com o Paraguai. Com a Alemanha, controlámos bem, fomos superiores frente a uma equipa que tantas vezes nos dominou, fizemo-los correr atrás da bola”, referiu.

Del Bosque afirmou ainda que Iker Casillas, que anos depois passou pelo FC Porto, foi um jogador “chave” para a conquista do título. “Era um guarda-redes que reagia muito bem a momentos de tensão, tinha sempre grande concentração durante todo o jogo”, afirmou, lembrando algumas defesas do guardião durante o Mundial.

Vicente Del Bosque, de 69 anos, deixou o comando técnico da seleção e deixou o futebol em 2016, poucos dias depois de a Espanha ter sido afastada do Europeu, conquistado por Portugal, ao perder com a Itália por 2-0, nos oitavos de final.

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