Fim da linha para Portugal no Campeonato do Mundo na Rússia. A seleção acabou por tombar frente ao Uruguai nos oitavos de final da competição, em partida que teve lugar em Sochi. A formação de Óscar Tábarez acabou por fazer-se valer dos seus predicados: Como são a sua solidez e agressividade a defender, que acabaram por ser fundamentais no desfecho da eliminatória.

Portugal teve mais remates (8 contra 4), foi mais eficaz no passe (72% contra 89%), mais duelos ganhos (29-33) e uma posse de bola avassaladora (36% contra 64%) - Dados Goal Point.

Os números do Uruguai-Portugal: 'Bis' de Cavani terminou com o sonho luso
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Contudo, esse domínio traduzido em números esbarrou sempre na organização dos uruguaios, que nunca permitiram grande veleidades ao conjunto de Fernando Santos. Godín e Giménez, no centro da defesa tiveram quase sempre imperiais. No miolo, os celestes foram sempre muito agressivos na ação sobre o portador da bola, com destaque para Nández.

No que diz respeito ao capítulo da finalização, os sul-americanos foram letais. Na primeira vez que vão à baliza portuguesa fazem golo, numa jogada construída pela dupla mais mortífera do Mundial: Suárez e Cavani. Já Portugal, nos primeiras 45 minutos, pecou pela excessiva utilização do jogo exterior. A circulação de bola se fazia de forma lenta e previsível o que facilitava a vida aos homens comandados por Óscar Tabarez.

Análise da partida entre Portugal e o Uruguai por Marcelo Chagas e Pedro Tudela

Os melhores 45 minutos do Campeonato do Mundo

No segundo tempo viu-se o melhor Portugal do Campeonato do Mundo. Mérito para a alteração tática levada a cabo por Fernando Santos. O engenheiro colocou Bernardo Silva na posição 10, fez descair João Mário para o lado direito e Gonçalo Guedes para o lado esquerdo. A partir daí foi Bernardo Silva que pegou no jogo, e Portugal passou a ter mais um homem no meio campo para o jogo entrelinhas. As alterações deram frutos, já que ao minuto 55, Portugal chegou ao golo. Era o primeiro golo sofrido pelo Uruguai no Campeonato do Mundo.

Mas Portugal teve pouco tempo para festejar. O Uruguai voltou a demonstrar uma eficácia letal. Cavani com um pontapé de grande qualidade, na passada, voltou a colocar o resultado em 2-1. Era o pior que podia ter acontecido a Portugal. O Uruguai a partir daí poderia gerir o jogo a seu belo prazer. As substituições de Fernando Santos acabaram por não ter o resultado desejado, depois de terem sido lançados Quaresma, André Silva e Manuel Fernandes. Portugal tudo tentou, mas acabou por não ter sucesso. Sai de cabeça erguida do Campeonato do Mundo.

Balanço

Pela primeira vez a envergar o título de campeão europeu numa competição mundial, não se pode dizer que Portugal tenha envergonhado o atual estatuto. O que é certo é que em nenhum dos quatro jogos realizados conseguiu patentear uma exibição de 'encher o olho'. Acaba por cair frente ao Uruguai, contra uma equipa que não nem de perto nem de longe, era favorita à conquista do Mundial. Portugal não sai beliscado, mas notou-se que alguns jogadores podiam ter dado mais.

Faltou frescura física, maturidade e confiança a jogadores como André Silva, Gonçalo Guedes e João Mário. Em determinados momento do jogo deu a sensação que faltaram ideias e que não havia um plano B para lidar com as situações de adversidade. Portugal tentou reagir à desvantagem frente ao Uruguai, mas foi demasiado tarde. Sai da Rússia com uma derrota, dois empates e uma vitória. 6 golos marcados e seis sofridos. Muito pouco, num dia em que o Mundial perdeu Messi e Cristiano Ronaldo.

Melhor em campo

Cavani

Nota de 8.0 para o site Goal Point. Fez dois golos, em três remates. Foi o jogador que traduziu da melhor forma a eficácia do conjunto 'celeste'. Terá a oportunidade de mostrar as suas credenciais nos quartos de final frente à França.

Destaques

William

Bastante criticado na última partida frente ao Irão, William voltou a ser aquele jogador a que nos habituámos a ver no Sporting. Terminou com uma percentagem de 93% de passes certos. Esteve ainda muito forte no capítulo da recuperação de bola e fez dois passes para finalização. Impecável nos duelos físicos.

Bernardo Silva

Quando passou a atuar na zona central encheu o campo e deu muita qualidade à zona intermédia da equipa portuguesa. Esteve eficaz a nível do drible (4) e ao nível dos passes da finalização.

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