O futebol é um mundo de loucos, onde as circunstâncias mudam muito em questão de dias. Um mês, então? É demasiado tempo para que as personagens, as vedetas permaneçam no mesmo sítio, seja nos seus clubes ou no pedestal dos grandes ídolos.

Há um mês Ronaldo era um ‘eterno’ merengue que conquistava a sua quarta Liga dos Campeões pelo clube 'blanco' num espaço de cinco temporadas, o maior marcador da história do clube, onde certamente iria aposentar-se. Hoje, um mês depois, Ronaldo veste branco, e também preto, sendo o mais mediático reforço deste defeso, ao trocar o Real Madrid pela Juventus.

Em meados de junho o Brasil, a Alemanha, a Argentina e a Espanha despontavam como favoritos ao título mundial. O que se viu foi uma eliminação alemã na primeira fase, quedas de argentinos e espanhóis nos 'oitavos' e o Brasil sendo afastado pela Bélgica nos quartos de final. Esperava-se há um mês que Ronaldo, Messi ou Neymar fossem as vedetas, e que ao menos uma delas estaria em campo no Estádio Luzhniki neste domingo.

Ronaldo fez um Mundial ‘honesto’, marcando quatro golos, mas a seleção portuguesa não conseguiu repetir as boas exibições dos relvados franceses há dois anos. Já Messi dececionou junto com uma Argentina desnorteada e que nem de longe lembra a temida seleção sul-americana. Porém, neste contexto de mudanças e dinamismo que é o tempo para o futebol, talvez o cenário para Neymar foi o que mais se alterou nestes últimos 30 dias.

De candidato à principal estrela num esperado sexto título brasileiro, Neymar deixou a Rússia debaixo de muitas críticas, sendo talvez a principal ‘vítima’ desta 'montanha russa' que é o futebol e a relação com os adeptos, ainda mais numa era mediática como a que hoje vivemos. As exageradas reações após faltas recebidas, um certo individualismo e, principalmente, o pouco brilho nos jogos da ‘canarinha’ fizeram com que o principal ídolo do futebol brasileiro atual passasse a ser motivo de chacota na internet.

Neymar saiu do Campeonato do Mundo com a imagem arranhada. Aos 26 anos vê o tempo passar, ano após ano tendo de contentar-se com o papel de coadjuvante num palco onde Ronaldo e Messi parecem ser os protagonistas por mais tempo que o esperado. E em caso de título para a França neste domingo em Moscovo, Neymar passa a ter mais um incómodo, que seria a ascensão do status do jovem Mbappé no Paris Saint Germain. A estrela brasileira talvez precise mudar o comportamento para a sequência da carreira, aprender com os erros e os excessos para ser o protagonista que a ‘torcida’ brasileira espera. Talento todos sabem que Neymar tem, e de sobra, mas é chegada a hora de assumir maiores responsabilidades para subir de patamar entre as principais figuras do mundo da bola. O assombroso Mundial que Mbappé vem fazendo é prova que o futebol não pára de reinventar-se, e o mundo da bola é sempre ávido em novos ídolos.

* Yuri Bobeck é jornalista, com passagens por rádio UEL FM, jornal Lance!, TV Cultura e TV Globo. Escreve para o SAPO neste Mundial’2018.

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