O racismo foi um elemento importante da violência no futebol inglês a partir dos anos 1970, mas a ação das autoridades e clubes tem sido bem-sucedida no combate ao fenómeno, afirma o sociólogo John Williams.

"Esse tipo de racismo público aberto, que era uma característica do futebol inglês nos anos 80 foi definitivamente reduzido", disse à agência Lusa o professor na Universidade de Leicester, autor de vários livros sobre o hooliganismo.

O racismo entre os adeptos do futebol ganhou maior relevância a partir da década de 70 do século passado, quando começou a aumentar o número de jogadores negros titulares nas equipas, embora já existissem desde o início do século XX.

Estes eram frequentemente alvo de comportamentos como imitações de sons de macacos, sendo arremessadas bananas para o campo, incluindo pelos próprios adeptos, como os do Chelsea, West Ham e Leeds United, pioneiros no recrutamento de jogadores negros.

O Birmingham City, cuja equipa multirracial passou a ser apelidada por "zulu" pelos adeptos rivais, deu origem à claque ‘Zulu Warriors’, que se destacava por ter membros de diversas origens étnicas, ao contrário da maioria das claques, sobretudo compostas por homens brancos britânicos.

Nos anos 1970 e 1980, o hooliganismo ganhou uma dimensão política devido à ascensão de grupos de extrema direita, como o National Front (Frente Nacional), que aproveitava os jogos para distribuir panfletos e recrutar pessoas.

Atualmente, os cânticos racistas durante os jogos são menos frequentes, em parte devido à ação da Federação Inglesa de Futebol (FA) e clubes, que lançaram campanhas como ‘Let's Kick Racism Out of Football’ (Vamos chutar o racismo para fora do futebol), em 1993.

O racismo, seja por palavras ou sons, passou a ser um crime punível em 1991, com multas elevadas e possível proibição de assistir a jogos de futebol.

Para dar o exemplo, a FA passou também a ser implacável com os próprios jogadores, castigando Luis Suárez em 2011 com oito jogos de suspensão por o então avançado do Liverpool ter insultado o francês Patrick Evra, do Manchester United.

Mais recentemente, o português Bernardo Silva foi punido pela Federação Inglesa de futebol em 2019 por uma piada dirigida ao colega de equipa Benjamin Mendy, através da rede social Twitter, tendo sido suspenso por um jogo e multado em cerca de 60 mil euros.

A intolerância no futebol pode ter várias formas, incluindo insultos homofóbicos contra jogadores, como os que Sol Campbell sofreu dos adeptos do Tottenham, após ter trocado os ‘spurs’ pelos rivais do Arsenal e, mais tarde, quando jogou no Portsmouth, ou religiosos, entre os adeptos do Glasgow Rangers (protestantes) e do Celtic (católicos).

Williams acredita que o racismo no futebol "foi transferido" para outros movimentos, como o grupo English Defence League, que foi ativo entre 2009 e 2011, ao organizar manifestações contra muçulmanos em várias cidades inglesas, alguns dos quais resultaram em confrontos.

Um dos dirigentes é Stephen Yaxley-Lennon, conhecido por Tommy Robinson, que já tinha sido ativo no Partido Nacionalista Britânico (BNP) e que se tornou ativo no partido eurocético UKIP e no movimento a favor do Brexit.

Robinson viaja frequentemente com os adeptos da seleção nacional inglesa de futebol ao estrangeiro, e está atualmente a ser julgado pela agressão a outro britânico antes do jogo contra a Holanda, das meias finais da Liga das Nações, realizado em Guimarães, em junho do ano passado.

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