Jurgen Klopp foi agraciado com o prémio de Melhor Treinador de 2018/2019 na Gala 'The Best' da FIFA. O técnico alemão guiou o Liverpoll à conquista da Liga dos Campeões e a uma campanha incrível na Liga Inglesa onde somou 97 pontos, um menos que o campeão Manchester City

Esta terça-feira, o site 'The Players Tribune' publicou uma carta aberta do treinador alemão. Klopp recordou os tempos difíceis no início da carreira e como o nascimento do filho mudou a sua vida.

"Honestamente, quando tinha 20 anos, se alguém viesse do futuro e me dissesse tudo o que iria acontecer na minha carreira, eu não acreditaria. Quando tinha 20 anos, tive uma experiência que mudou por completo a minha vida. Eu próprio era um miúdo, mas também tinha acabado de ser pai", começou por contar.

"Não foi o momento perfeito [para ser pai], sejamos honestos. Jogava futebol amador e ia à universidade durante o dia. Para pagar a escola, trabalhava num armazém onde armazenavam filmes para o cinema. E para os mais novos que estão a ler isto, não estamos a falar de DVD´s. Estamos a falar dos finais dos anos 80. Os camiões chegavam às 6h00 para levar os novos filmes, e nós carregávamos e descarregávamos aqueles contentores enormes de metal. Eram bastante pesados, honestamente", sublinhou.

A vida dura nos primeiros anos como adulto moldaram o caráter de Jurgen Klopp.

"Dormia cinco horas por noite, ia para o armazém de manhã e depois ia às aulas durante o dia. À noite, ia para o treino, e depois voltava para casa e tentava passar algum tempo com o meu filho. Foi um período difícil. Mas ensinou-me a vida real", explicou.

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Klopp contou que foi obrigado a a tornar-se "numa pessoa muito séria em tenra idade".

"Todos os meus amigos convidavam-me para irmos para os pubs e cada osso do meu corpo dizia' Sim, quero ir'. Mas, claro, não podia porque já não estava a viver apenas para mim. Os bebés não querem saber se estás cansado ou se queres dormir até ao meio dia", contou Klopp, antes de fazer uma comparação entre o futebol e as preocupações da vida.

"Quando estás preocupado com o futuro de outra pequena pessoa que trouxeste ao mundo, essa é a verdadeira preocupação. A verdadeira dificuldade. O que acontece num relvado não é nada comparado com isto", explicou.

Klopp aproveitou para deixar uma mensagem às pessoas que gostam de futebol: é preciso aproveitar a vida.

"Por vezes, as pessoas perguntam-me por que estou sempre a sorrir. Mesmo depois de perdermos um jogo, sorrio. Isso é porque, quando o meu filho nasceu, apercebi-me de que o futebol não é uma questão de vida ou de morte. Não estamos a salvar vidas. O futebol não devia ser algo que espalhe miséria e ódio. O futebol devia ter a ver com inspiração e alegria, especialmente para as crianças", frisou, o técnico, lembrando as histórias de vida de jogadores como Salah, Mané ou Firmino, eles que foram o tridente ofensivo do Liverpool.

"As histórias de vida de pessoas como Mo Salah, Sadio Mané, Roberto Firmino e muitos dos meus futebolistas são incríveis. As dificuldades por que passei quando era jovem na Alemanha não são nada quando comparados com o que estes jogadores tiveram de ultrapassar. Há tantos momentos em que eles podiam, simplesmente desistir, mas recusaram a faze-lo", lembrou.

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