O Benfica homenageou hoje Mário Dias, antigo vice-presidente e responsável pela construção do Estádio da Luz, em Lisboa, durante a celebração do 16.º aniversário deste recinto desportivo.

Pelas mãos do presidente do Benfica, Luís Filipe Vieira, Mário Dias recebeu uma réplica do Estádio da Luz e uma salva de prata, esta oferecida pelos órgãos sociais dos ‘encarnados'.

Durante a cerimónia, que decorreu na bancada presidencial, e onde estiveram presentes várias individualidades ligadas aos ‘encarnados' - os treinadores principais das equipas de futebol e das modalidades, bem como membros de anteriores direções - coube a João Soares, presidente da Câmara Municipal de Lisboa na altura do arranque preparatório para a construção do recinto, ser o primeiro a discursar.

Várias histórias foram recordadas durante o vídeo apresentado instantes antes e João Soares manteve a mesma linha e relembrou outros tantos nomes que estiveram ligados a esta construção.

Embora tenha assumido que não fosse simpatizante de nenhum clube, até por "tradição familiar", o ex-autarca revelou que o primeiro a quebrar esta barreira foi o próprio filho. Situação que, segundo o próprio, levou mesmo a que Mário Soares, ex-primeiro ministro e ex-presidente da República portuguesa, visse alguns jogos de futebol do Benfica para poder falar com o neto sobre os jogadores que marcavam os golos.

Em relação a Mário Dias, João Soares destacou o papel importante que teve na construção Estádio da Luz.

"Este estádio é uma honra para a cidade de Lisboa e para o país. Mário Dias é um homem muito bom e um apaixonado pelo Benfica, foi fundamental que fosse construído", afirmou.

Por sua vez Luís Filipe Vieira recordou todos os avanços e recuos antes do arranque da obra. O a reação de Mário Dias quando viu ‘chumbada' a ideia da construção do estádio, até que houve um volte-face.

"Mário Dias teve sempre uma grande determinação e uma grande resistência sempre que apareciam obstáculos. No dia seguinte ao chumbo fomos almoçar. Começou às 13:00 e acabou depois da uma da manhã. Foram feitas contas e mais contas nas toalhas de papel do restaurante. Chegámos à conclusão que seria viável. Reunimo-nos depois com João Soares, que acabou por ser a primeira pedra na construção do Estádio da Luz, ao dar-nos sempre uma mensagem positiva", relembrou.

Vieira não teve dúvidas em reconhecer que se não fosse Mário Dias o atual estádio não existiria e recordou todos os dias ao longo de quase dois anos em que este fez do seu próprio carro, onde guardava os rolos de papel com os projetos do estádio e célebre capacete encarnado.

"Todos sentimos um orgulho muito grande em ter conseguido fazer esta obra, que acabámos por concluir primeiro que os nossos concorrentes", concluiu, dividindo os louros com Seara Cardoso, Tinoco Faria e Fonseca Santos.

Visivelmente emocionado, Mário Dias, agradeceu a homenagem e referiu mesmo que todo o trabalho que fez pelo Benfica "entre 12 a 16 horas por dia" acabou por pagar uma ‘dívida' antiga.

"Quando era miúdo, acompanhado por outros miúdos, entrei muitas vezes no antigo Estádio da Luz graças aos sócios. Não tinha dinheiro para pagar o bilhete e eles deixavam-me entrar", concluiu Mário Dias, ressalvando que se contasse todas as histórias que se passaram durante a construção o discurso seria quase interminável.

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