A Associação Nacional de Treinadores de Futebol (ANTF) defende que a retoma das ligas profissionais deve ter por base uma diretiva da Direção-Geral da Saúde (DGS) e ser "baseada na ciência", disse hoje o seu presidente à Lusa.

"Não podemos adulterar a realidade, isto não é uma questão de posição do Sindicato dos Jogadores ou da ANTF, da Liga ou dos clubes, terá que ser uma posição do país, no caso, da DGS. Temos que nos reger pelo que são as suas indicações e ninguém as pode ultrapassar", afirmou José Pereira.

O Sindicato dos Jogadores Profissionais de Futebol (SJPF) exigiu hoje a aprovação por parte da DGS das condições delineadas para retomar as competições futebolísticas em Portugal, após a suspensão devido à pandemia de COVID-19.

O líder da ANTF frisou que a necessidade de uma espécie de pré-época de, no mínimo, três semanas, corresponde às expectativas dos treinadores, lembrando o risco de lesões que podem ocorrer se tal não for verificado, mas não aponta uma data para o regresso da competição, reforçando uma vez mais a importância e o papel da DGS nessa matéria.

"Quando o Governo e a DGS o fizerem [permitir regresso da competição], vai ser, com certeza, com a responsabilidade que o momento exige e baseado na ciência", disse.

José Pereira frisou que também há grupos de trabalho constituídos por médicos dos clubes para pensarem sobre essas questões.

"Que conhecimentos tenho eu para dizer o que está correto ou não? Os treinadores querem apenas que seja salvaguardada a integridade física de todos, treinadores, jogadores, diretores, profissionais da comunicação social, estamos todos em sintonia", sustentou.

Questionado sobre o regresso aos treinos, ainda que condicionados e individualizados, de alguns clubes, como o Nacional, da II Liga, ou o Sporting (o Sporting de Braga anunciou hoje que vai iniciar esse tipo de treinos na segunda-feira), José Pereira considerou que "deviam começar todos ao mesmo tempo, nas mesmas condições e em igualdade de circunstâncias".

"Mas a lei prevê isto [reinício da atividade com condições] e, se alguns clubes aproveitaram essa frincha na lei, isso fica à consciência de cada um", disse.

As competições profissionais, I Liga e II Liga, estão suspensas desde 12 de março, após 24 das 34 jornadas - com o FC Porto na liderança, com um ponto de vantagem sobre o campeão Benfica -, bem como a Taça de Portugal, que tem Benfica e FC Porto como finalistas.

Portugal contabiliza 820 mortos associados à COVID-19 em 22.353 casos confirmados de infeção, segundo o boletim diário da DGS sobre a pandemia.

Das pessoas infetadas, 1.095 estão hospitalizadas, das quais 204 em unidades de cuidados intensivos, e o número de doentes curados aumentou de 1.143 para 1.201.

O país cumpre o terceiro período de 15 dias de estado de emergência, iniciado em 19 de março, e o decreto presidencial que prolongou a medida até 02 de maio prevê a possibilidade de uma "abertura gradual, faseada ou alternada de serviços, empresas ou estabelecimentos comerciais".

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