O futebolista Estrela justificou hoje o pedido de rescisão unilateral por “justa causa” entregue à SAD do Desportivo das Aves, último classificado da I Liga, com a “falta de pagamento de retribuição superior a 60 dias”.

“Tratou-se de uma decisão estritamente pessoal e ponderada, depois de esgotadas todas as alternativas e frustradas todas as promessas de regularização dos valores em atraso. Com a rescisão hoje comunicada, o jogador fica livre e não tem qualquer acordo ou promessa de acordo com qualquer outro clube ou sociedade desportiva”, lê-se num comunicado assinado pelo médio luso-angolano, a que a agência Lusa teve acesso.

Os avenses consideram que o capitão foi abordado por elementos ligados ao Vitória de Setúbal na véspera do encontro da 31.ª jornada entre os dois clubes, que venceram na quarta-feira (1-0), com o contributo de Estrela a partir dos 84 minutos, situação que causou insatisfação junto da administração liderada pelo chinês Wei Zhao.

“Esta decisão não está, de modo algum, relacionada com qualquer outro clube e/ou sociedade desportiva, mas apenas e só com a insustentabilidade de manutenção do vínculo laboral face ao incumprimento da obrigação de pagamento da retribuição pelo Clube Desportivo das Aves Futebol SAD”, prossegue o médio, que admite “recorrer a todos os meios judiciais e desportivos” para “proteger o seu bom nome e reputação”.

Estrela, de 24 anos, estava vinculado até junho de 2022 e disputou 23 partidas pela formação do concelho de Santo Tirso, onde chegou há um ano, oriundo do ‘secundário’ Varzim, tornando-se o sexto futebolista a desvincular-se do Desportivo das Aves alegando salários em atraso, tal como fizeram o guarda-redes francês Quentin Beunardeau e o avançado brasileiro Welinton Júnior em abril.

Na quinta-feira, Estrela Costa, acionista da Galaxy Believers, que gere o futebol avense, frisou à agência Lusa que as saídas do médio internacional congolês Aaron Tshibola, do também médio luso-chinês Pedro Delgado e do extremo franco-camaronês Kevin Yamga foram consumadas esta semana e “nada se deveram” ao incumprimento de ordenados.

A tese é contrariada por todos os jogadores desvinculados e a administradora prometeu liquidar até segunda-feira os vencimentos de abril e maio à estrutura dos nortenhos, incluindo os 35% que a administração e o plantel acordaram cativar devido à paragem motivada pela pandemia de covid-19, sob pena de a I Liga não ser retomada.

A SAD do Desportivo das Aves foi absolvida em 30 de junho da acusação de incumprimento salarial com jogadores e treinadores entre dezembro e março, mas aguarda pela resolução de outro processo idêntico, assente na ausência de documentos comprovativos quanto à regularização dos vencimentos dos meses de março e abril.

O assunto foi remetido da Liga Portuguesa de Futebol Profissional para o Conselho de Disciplina da Federação Portuguesa de Futebol em 09 de junho, podendo custar uma penalização de dois a cinco pontos, face aos 17 somados em 31 jornadas pelos avenses, que confirmaram a despromoção à II Liga em 29 de junho.

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