"O mais importante era vencer e continuar em primeiro lugar,", disse Bruno Lage poucos minutos depois do apito final no Estádio Cidade de Barcelos, que confirmou um triunfo sofrido do Benfica, por 1-0, sobre o Gil Vicente. Percebe-se a reação do treinador 'encarnado'. Mais uma vez, os campeões nacionais estiveram longe de deslumbrar, mas há uma diferença fundamental em relação às últimas semanas: a equipa não sofreu golos - o que não acontecia há seis jogos - e ganhou - o que não acontecia há quatro.

Um golo de Carlos Vinícius, aos 15 minutos, permitiu ao Benfica recuperar a liderança da I Liga, numa casa onde FC Porto, Sporting e SC Braga não passaram e onde a equipa de Vítor Oliveira apenas tinha perdido uma vez para o campeonato. O Gil Vicente discutiu o resultado até ao fim e talvez merecesse mais, mas o estoicismo das 'águias' prevaleceu.

Bruno Lage decidiu contornar as fragilidades defensivas com uma nova dupla no meio-campo. Se a titularidade de Weigl não surpreendeu, o mesmo não se pode dizer da escolha de Samaris, que não jogava de início desde 3 de dezembro. A presença do alemão e do grego no meio-campo permitiu, por um lado, a subida rápida dos laterais pelos corredores, ao mesmo tempo que libertava Taarabt para mais perto de Vinícius, onde poderia arriscar mais no passe.

O Benfica entrou bem no jogo, com saídas criteriosas para o ataque, e aos 15 minutos, já depois de uma oportunidade desperdiçada por Pizzi, chegou ao 1-0 numa bola parada. O camisola 21 bateu um livre ligeiramente descaído para a direita, a defesa do Gil Vicente aliviou mal e a bola sobrou para Taarabt, que tirou um cruzamento teleguiado para Vinícius (15'), liberto de marcação, fazer o primeiro golo de cabeça de águia ao peito (e o 20.º da temporada).

A vantagem madrugadora ajudou a espantar alguns dos fantasmas dos 'encarnados', mas nunca lhes deu tranquilidade. E a equipa gilista, que nunca foi de baixar os braços, esteve perto de empatar numa série de pontapés de canto, o primeiro com Baraye (18') a falhar na cara de Vlachodimos. O extremo senegalês voltaria a estar perto de marcar aos 24’, mas o guarda-redes grego não deixou, tendo ainda defendido um remate de fora da área de Kraev (24'), após uma perda de bola a meias entre Rúben Dias e Weigl. Foi o suficiente para desestabilizar o Benfica.

Ainda assim, o crescimento do Gil Vicente entre a fase de construção e as zonas de criação abrandou até ao intervalo, e os visitantes acabaram melhor a primeira parte - Vinícius até voltou a marcar, mas o árbitro já tinha assinalado fora de jogo, e logo a seguir Henrique Gomes tirou a bola dos pés do brasileiro, praticamente em cima da linha. Exceção feita, talvez, ao mau passe de Tomás Tavares (45-2') que por pouco não deu golo para os gilistas - valeu Ferro no desarme a Lourençy.

O reatamento trouxe um Gil Vicente ainda mais dinâmico e asfixiante, a procurar principalmente o corredor esquerdo do ataque, onde Baraye foi uma dor de cabeça para Tomás Tavares. O senegalês obrigou Vlachodimos a uma defesa muito apertada aos 52 minutos, e Vítor Oliveira aproveitou para reforçar o ataque com Hugo Vieira, que também viu o grego negar-lhe o 1-1. A substituição acabou por abrir brechas que Taarabt esteve perto de aproveitar aos 67', quando ludibriou um adversário para atirar com estrondo à trave da baliza de Denis.

O momento de inspiração do marroquino podia servir de tónico para o Benfica, mas nada mudou. Weigl e Samaris juntaram-se cada vez mais aos centrais para estancarem as investidas gilistas, e Carlos Vinícius estava cada vez mais isolado na frente de ataque, até ao momento em que deixou o relvado de maca - Samaris também saiu com queixas. Os 'encarnados' foram controlando a vantagem, mas só respiraram de alívio quando Luís Godinho apitou para o final, o que diz muito sobre a qualidade do conjunto de Barcelos.

Vitória sofrida para o Benfica, que consegue resgatar a liderança do campeonato num campo difícil. Agora, falta a nota artística...

A figura

Taarabt: A entrada de Samaris no onze empurrou-o para mais perto de Vinícius, onde jogou e fez jogar. Aos 15 minutos, descobriu o avançado brasileiro com um cruzamento milimétrico para o único golo da noite, estando também ele próximo de marcar no segundo tempo, com um gesto técnico brilhante que acabou numa bomba ao ferro.

Reações

Vinícius: "Temos mais 12 finais pela frente"

Vítor Oliveira: "O Benfica da segunda parte estava perfeitamente ao alcance do Gil Vicente"

Vinícius: "Temos mais 12 finais pela frente"

Hugo Vieira: "A sensação é de frustração"

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