Domingos Soares de Oliveira, administrador da SAD do Benfica, explicou este sábado, em entrevista ao canal do clube, a BTV, o momento financeiro que as 'águias' atravessam, abordando várias questões, como  as consequências da perda de receitas da SAD do Benfica por causa da pandemia do novo coronavírus, a instabilidade financeira que se vive no mundo, os pormenores do contrato com a NOS e a importância do empréstimo obrigacionista levado a cabo pelo clube da Luz.

Sobre este empréstimo, o CEO das 'águias' apontou o dedo a quem viu defeitos no mesmo. "É uma operação que é feita sem recursos. Só em operações sem recurso é que eu consigo ter um impacto significativo no meu balanço do lado do passivo. E foi isso que fizemos. Vi um advogado, um jornalista e até um professor universitário a falarem sobre essa matéria. As pessoas que são benfiquistas têm uma análise obrigatoriamente mais rigorosa, as pessoas que não o são terão uma análise mais, não vou dizer mais tendenciosa, mas menos rigorosa. A operação que fizemos foi muito boa, foi nos timings certos, e ainda bem que a fizemos porque, se hoje tivéssemos de ir ao mercado tentar fazer a mesma operação, pagaríamos muito mais caro", sublinhou o administrador.

Em relação ao contrato, Soares de Oliveira vincou que se alguma vez o clube utilizasse os 400 milhões de euros que tem a receber seria para fazer reembolso de dívida.
"Quando assinámos o contrato com a NOS, nunca, na altura, alguém imaginou que seria possível assinar um contrato de venda de direitos televisivos e de exploração da BTV por 400 milhões de euros. Nessa altura a mensagem foi clara: se alguma vez utilizássemos os montantes deste contrato seria basicamente para fazer reembolso de dívida. Ou seja, não quisermos fazer utilização do contrato para pagar despesa corrente, não quer dizer que não o possamos fazer, mas o grande objetivo já nessa altura era quase uma obsessão com a redução da dívida. Reembolsar o endividamento todo que fizemos permite-nos libertar as garantias todas, libertar hipotecas sobre determinados bens imóveis e outro tipo de garantias", explicou na mesma entrevista à BTV.

Venda de jogadores não está nos planos

Quanto à instabilidade financeira que se vive no Mundo em virtude da pandemia de COVID-19, Domingos Soares de Oliveira reiterou que o emblema da Luz mantém o objetivo de "ganhar no relvado", ainda que não colocando nunca de parte encaixes com a venda de jogadores. "Neste momento não temos uma expectativa de grandes encaixes do ponto de vista de alienação de passes de jogadores, e, também é importante dizê-lo, não é esse o nosso objetivo. O nosso principal objetivo é ganhar no relvado, e para ganhar no relvado temos de ter os melhores jogadores. Tanto quanto possível, quero reter os melhores jogadores. Como temos uma situação de tesouraria razoavelmente controlada, não há necessidade de andar a vender os nossos jogadores, muito menos por preços que não sejam os de mercado. Provavelmente haverá também uma maior travagem em relação aos nossos investimentos. O objetivo é que o Benfica tenha a equipa mais competitiva a nível nacional, que cumpra os seus pergaminhos e faça uma boa campanha na Europa", terminou.

Endividamento inferior a 100 milhões num exercício

Domingos Soares Oliveira destacou ainda o facto de o Benfica ir fechar o exercício do segundo trimestre com um endividamento inferior a 100 milhões de euros, sendo 60 milhões relativos ao último empréstimo obrigacionista.

"É a primeira vez que vamos ter um exercício que fecha com um endividamento inferior a 100 milhões de euros”, elogiou o dirigente.

Recorde-se que sexta-feira, na Assembleia Geral Ordinária do clube, os sócios do Benfica reprovaram o orçamento apresentado pela direção liderada por Luís Filipe Vieira para 2020/21. Um orçamento que, contudo, não está diretamente ligado com a SAD para o futebol dos encarnados.

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