João Pedro Mendonça, presidente da direção da Associação Nacional de Médicos de Futebol (ANMF), considera que não existem razões para um acréscimo de lesões musculares nos jogadores quando a I Liga for retomada.

“Penso e espero que não vá acontecer um acréscimo exagerado de lesões musculares comparativamente com os inícios de épocas anteriores. A existirem as lesões musculares, que ninguém pode afirmar que não vão acontecer, não acho que sejam óbvia e diretamente relacionadas com este tempo de paragem que os jogadores tiveram”, disse à Lusa.

Sobre a ocorrência de várias lesões musculares em futebolistas que jogaram no passado fim de semana no regresso da Liga alemã, o médico especialista em ortopedia e medicina desportiva admitiu que haverá a tendência de se pensar que se deve à paragem.

“Qualquer lesão que aconteça neste momento vai-se tendencialmente pensar que está relacionada com esta situação. Os jogadores nunca estiveram completamente parados e foram acompanhados e monitorizados mesmo quando estavam em casa. A minha ideia é de que, com os treinos que fizeram, não há razão para termos a existência de muitas lesões musculares devido a esta situação”, referiu.

João Pedro Mendonça lembrou que os 18 clubes que participam na I Liga em Portugal têm profissionais que acompanham o trabalho realizado pelos jogadores de forma a evitar lesões.

“Dentro das equipas técnicas, há as pessoas que têm a responsabilidade de olhar pela condição física e, juntamente com o departamento clínico, têm que atuar de modo a que as cargas que serão dadas aos jogadores se adequem ao tempo de paragem que tiveram. Cada clube é que sabe o tipo de paragem a que os atletas estiveram sujeitos”, vincou.

O presidente da direção da ANMF afirmou que, ao longo dos anos, sempre existiram momentos em que houve variações nos registos de lesões.

“A experiência diz-me que época a época, com treinos de forma semelhante, há alturas em que existem mais lesões musculares do que noutras. Em termos gerais, face ao controlo do treino que os jogadores têm tido, não me parece que se possa atribuir agora a existência de muitas lesões musculares por causa disto”, disse.

Falta disputar um total de 90 jogos do principal escalão do futebol nacional, o único que não foi cancelado devido ao novo coronavírus, assim como a final da Taça de Portugal, entre Benfica e FC Porto.

Após a declaração de pandemia, em 11 de março, as competições desportivas de quase todas as modalidades foram disputadas sem público, adiadas – Jogos Olímpicos Tóquio2020, Euro2020 e Copa América -, suspensas, nos casos dos campeonatos nacionais e provas internacionais, ou mesmo canceladas.

Os campeonatos de futebol de França, Países Baixos, Bélgica e Escócia foram cancelados, enquanto outros países preparam o regresso à competição, com fortes restrições, como sucede em Inglaterra, Itália, Espanha e Portugal, que tem o reinício da I Liga previsto para 04 de junho, depois de a Liga alemã ter sido retomada no sábado.

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