Missão cumprida. O Sporting saiu do Bonfim com os três pontos e mantém-se a um do terceiro posto, ocupado pelo Famalicão, e ganha alento para o dérbi da próxima sexta-feira com o Benfica. O jogo que esteve para não ser realizado, lá aconteceu, com muitas dificuldades para os sadinos, depois de uma semana muito difícil: não houve treino na quinta e sexta-feiras, mais de 80 por cento dos jogadores sofreram com uma virose que atingiu a equipa. Dos que conseguiram recuperar e dos que não foram afetados, Velázquez lá conseguiu montar um onze longe do habitual mas obteve resposta positiva. Apesar da derrota, os sadinos lutaram até ao fim por um resultado positivo e em nenhum momento foram a equipa de m£&d@ que o seu treinador receava ter em campo. Fica para trás mais um episódio que mancha o futebol o português.

Máscaras de proteção, avisos de contágio de vírus e quatro golos: O melhor do Setúbal-Sporting em imagens

O jogo: 'leão' com duas partes distintas, sadinos acreditaram apesar de tantas dificuldades

Júlio Velázquez já pode respirar. Apesar dos receios, o jogo decorreu sem incidentes, os jogadores recuperados da virose aguentaram o ritmo e o Vitória deu uma boa réplica. Obrigado a jogar, o técnico espanhol dos sadinos só conseguiu ter cinco atletas no banco de suplentes em vez dos sete. Dos que escolheu para integrar o onze, seis tinham estado no hospital, devido a virose que afetou o plantel, provocando vómitos, diarreia e febre nos jogadores. Foi preciso recorrer à equipa B para completar a ficha de jogo.

A virose levou o emblema sadino a deixar um aviso na zona de acesso aos balneários, onde alertava para o perigo de contágio do vírus. Os apanha-bolas entraram em campo com máscaras de proteção. Este era um jogo que não devia ter sido realizado.

Quem esteve no Bonfim nem deu conta das fragilidades sadinas, pela forma como o jogo decorreu. Em parte, culpa do Sporting, a optar sempre por um ritmo mais baixo, sem forçar muito, até porque cedo se apanhou a vencer com dois golos de diferença e os sadinos nem sequer conseguiam chegar à baliza de Maximiano. As dificuldades eram tantas que, a meio do primeiro tempo, o guarda-redes sadino atirou-se para o chão, pedindo assistência. Tempo aproveitado pelos colegas para se hidratarem e para Julio Velázquez dar algumas indicações. Era importante não deixar o Sporting imprimir um ritmo que fosse difícil de acompanhar.

Após os golos de Bruno Fernandes, de grande penalidade e da infelicidade de João Meira (marcou na própria baliza, pouco tempo depois de um gato preto ter atravessado o relvado de uma ponta a outra), esperava-se que o Sporting chegasse à goleada com alguma facilidade, tantas eram as debilidades do Vitória de Setúbal: além dos problemas físicos, por a equipa não ter conseguido treinar durante dois dias e pelo facto de mais de metade dos jogadores ter estado com vómitos, diarreia e febre durante a semana, o onze escolhido tinha dificuldades de entrosamento, visível nalgumas saídas de bola, com os jogadores menos experientes a cometerem erros.

Só que depois do intervalo, quem deve ter ficado afetado com a virose foi o Sporting, já que fez uma segunda parte de baixo nível. Carlinhos deu alguma 'vitamina' aos sadinos, num golaço onde Maximiano não fica isento de culpas, e fez a equipa acreditar que era possível algo mais. Só a barra negou o empate a André Sousa, numa noite de muito azar para os sadinos: fizeram um autogolo e viram a barra negar-lhes o 2-2.

A prestação dos homens da frente do Sporting desagradava a Silas, pelo que o técnico retirou todos de campo (Luiz Phellype, Vietto e Bolasie) e colocou um ataque novo em campo (Jese Rodriguez, Pedro Mendes e Camacho) para tentar dar nova vida aos 'leões'. Mas quem tem Bruno Fernandes pode sempre ultrapassar os problemas coletivos com a sua qualidade. Foi dos seus pés que nasceu o 3-1, num lance de contra-ataque conduzido por Camacho, após perda de bola dos sadinos no meio-campo, numa altura em os de Velázquez tentavam o tudo por tudo para chegar ao empate.

Mais que o resultado, a exibição mostrou que as notícias da morte do Vitória de Setúbal eram manifestamente exageradas ('notícias' do próprio treinador).

O Sporting regressa aos triunfos, após o desaire caseiro frente ao FC Porto e ganha novo ânimo antes de receber o Benfica, na 17.ª e última jornada da Primeira Volta. Silas não terá Coates no dérbi.

Momento-chave: Barra nega empate a André Sousa

Aos 75 minutos, um livre lateral de Éber Bessa encontrou a cabeça de André Sousa na área. O remate do jogador sadino embateu com estrondo na barra, num lance onde Maximiano já estava batido. Seria o 2-2 para o Vitória de Setúbal, que estava a crescer no jogo, após o golo de Carlinhos.

Melhores: Bruno Fernandes sempre presente, Vitória teve alma e raça

Bruno Fernandes ganhou o penalti que converteu no 2-0 e 'matou' as aspirações sadinas ao fazer o 3-1 nos descontos. Foi o principal motor da equipa, o mais rematador, ele que poderá estar a fazer os últimos jogos de 'leão' ao peito'.

Destaque ainda para a forma como o Vitória de Setúbal jogou no segundo tempo, depois do golo de Carlinhos. Apesar da falta de entrosamento, a equipa foi a procura da felicidade, sempre na raça e só não foi feliz porque a barra assim não quis.

Os Piores: Coates não soube proteger-se, Pirri estava noutra dimensão

Coates tinha quatro amarelos e era o único jogador em perigo de falhar o dérbi com o Benfica caso fosse admoestado. Fez uma falta desnecessária e foi castigado com o quinto amarelo na Liga, falhando assim a receção ao líder do campeonato. Silas também devia feito descansar o jogador.
Do lado sadino, destaque pela negativa para Pirri: o central fez penalti sobre Bruno Fernandes que valeu o 2-0 ao Sporting e ia comprometendo no segundo tempo ao entregar uma bola a Wendel que só não deu golo porque Mano estava atento.

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Veja o resumo do jogo

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