O presidente da Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP), Pedro Proença, concedeu uma entrevista ao jornal 'Expresso' em que fala do impacto do coronavírus nos campeonatos nacionais de futebol.

"É evidente que todos os momentos que se seguem a crises obrigam as empresas a criar novos modelos de negócio, e o futebol será claramente diferente após esta catástrofe. Vai ter de se reorganizar, e não falo apenas dos clubes, mas do tecido empresarial que gira à volta dele, patrocinadores, operadores de TV, etc", começa por alertar o antigo árbitro.

No entanto, Pedro Proença acredita que o mundo do futebol pode aprender com esta situação. "Acredito que uma das grandes ilações que vão ser retiradas desta crise será a seguinte: as organizações que supervisionam o futebol internacional têm obrigatoriamente de criar rácios, que sejam inultrapassáveis entre os que mais ganham e os que menos ganham", referiu.

Além disso, o presidente da Liga mostrou-se confiante que o campeonato vai ser jogado até ao final. "Estou convicto de que, segundo os traços evolutivos que nos são passados pela Direção-Geral da Saúde (DGS), temos condições para terminar a Liga esta época", acrescentando que o adiamento do Europeu abriu "uma janela de oportunidade de 45 dias para completar as competições, penso que há calendário suficiente para terminar as competições profissionais".

Pedro Proença falou ainda de uma das questões que mais tem preocupado os jogadores, principalmente dos clubes mais 'pequenos'. "Temos um fundo que poderá ser acionado em casos de incumprimentos salariais para ajudar clubes em dificuldades. Mas também é preciso dizer que grande parte dos orçamentos dos clubes estão suportados pelos contratos televisivos. Felizmente, o feedback que temos tido desses patrocinadores é tranquilizador", afirma.

Esta manhã tinha sido já confirmado que a Liga Portuguesa de Futebol Profissional (LPFP) e o Sindicato de Jogadores irião criar uma comissão de acompanhamento no âmbito da pandemia de Covid-19, para “criar condições para a resolução da temporada 2019/20”.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, infetou mais de 265 mil pessoas em todo o mundo, das quais mais de 11.100 morreram. Das pessoas infetadas, mais de 90.500 recuperaram da doença.

O surto começou na China, em dezembro de 2019, e espalhou-se por mais de 182 países e territórios, o que levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma situação de pandemia.

Depois da China, a Europa tornou-se o epicentro da pandemia, o que levou vários países a adotarem medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.

Em Portugal, que se encontra em estado de emergência desde as 00:00 de quinta-feira, a Direção-Geral da Saúde elevou na sexta-feira hoje o número de casos confirmados de infeção para 1.020, mais 235 do que no dia anterior. O número de mortos no país subiu para seis.

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