O presidente da Associação Portuguesa de Árbitros de Futebol (APAF), Luciano Gonçalves, não descartou hoje a hipótese de uma greve sem pré-aviso, mas dizendo que vai aguardar pela evolução dos acontecimentos nos próximos tempos.

“O pré-aviso de greve não teve qualquer efeito. Continuamos insatisfeitos e vamos ver nos próximos dias o que iremos fazer”, disse à agência Lusa o presidente da APAF, que, em declarações aos jornais A Bola e O Jogo, avançou com a possibilidade de uma paragem de um momento para o outro, devido ao clima vivido em torno da arbitragem.

Luciano Gonçalves diz temer que as coisas não melhorem: “Pela forma como se fala da arbitragem ao longo da semana, seja por parte da comunicação dos clubes, seja nos programas desportivos, temo que não seja para já que isto termine. Tudo serve para alimentar as querelas dos departamentos de comunicação dos clubes. É normal falar-se dos erros da arbitragem, aceitamos isso, o que não é normal são as especulações que se fazem e os casos que se criam”.

Questionado sobre o porquê de o pré-aviso de greve comunicado pela APAF a 30 de outubro último, anunciando a indisponibilidade dos árbitros para os jogos da Taça da Liga, não ter sido extensível à I Liga, Luciano Gonçalves explicou que “teve a ver com questões regulamentares”.

“Se optássemos por parar logo, os árbitros seriam penalizados nas dispensas antes de tempo. Estaríamos a penalizar os árbitros que tiveram jogo nesse fim de semana. Sendo dentro da legalidade, e com todos pedindo dispensa com tempo, ninguém seria penalizado”, disse Luciano Gonçalves, para quem os árbitros, ao recuarem, provaram que “agem de boa vontade e com bom senso” e que “não são eles que não querem a paz no futebol”.

Em entrevista publicada na terça-feira no jornal A Bola, o presidente do Conselho de Arbitragem (CA) da Federação Portuguesa de Futebol, José Fontelas Gomes, deixou no ar a possibilidade de deixar de fazer nomeações para os jogos caso considerasse que os árbitros não tinham condições para apitar.

Luciano Gonçalves revelou estar muito satisfeito com o apoio que o Conselho de Arbitragem tem dado à arbitragem e à classe e rejeitou a ideia de que o vídeoárbitro tem contribuído para aumentar o ‘ruído’ em torno do setor.

“Não foi o vídeoárbitro que contribuiu para maior ruído em torno da arbitragem, as pessoas é que utilizam esta nova ‘ferramenta’ para as suas intervenções. O vídeoárbitro serviu apenas para a comunicação dos clubes e para os comentadores desportivos terem mais um motivo para falarem na arbitragem”, rematou Luciano Gonçalves.

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