Na sequência dos insultos racistas contra a Marega por parte dos adeptos do Vitória de Guimarães, o presidente da Liga concedeu uma entrevista à SIC esta sexta-feira. Confira as principais declarações de Pedro Proença.

O caso Marega

"Obviamente que o sentimento é o generalizado. Devíamos estar todos envergonhados com aquilo que aconteceu. Esta não é uma realidade que acontece só no futebol. Foi um ato de racismo. É, óbvio, que neste momento há processos que estão a decorrer. Este caso poderá ter um enquadramento penal. Eu digo que qualquer ato de violência, racismo e xenofobia, é um ato de estupidez".

O processo

"Temos de ter respeito pelo momento processual. Nesta altura, até que haja uma condenação por parte do Conselho de Disciplina devemos ter respeito pelo contraditório. Falei com ambos os presidentes devido à preocupação pelos factos em concreto. Pretendemos sanar as consequências. Enquanto presidente da Liga serei sempre embaixador contra a violência e o racismo. Tive o cuidado de partilhar com o ministro da Administração Interna aquilo que eu achava que deveria ser uma intervenção eficaz relativamente às forças policiais. Os estádios têm hoje toda a tecnologia possível para identificar os adeptos através da CCTV."

A lei

"Há uma limitação por parte da Liga de Clubes, que não pode ir além. A norma contra o racismo, que tem vários anos, poderá ter de ser agravada. Temos uma Lei da Violência e do Racismo que, no nosso entendimento, ficou aquém das nossas expectativas."

Demissão

"Esse tema não se coloca nem se pode colocar sobre essa perspetiva. A minha demissão não será medida de pressão, de alguma forma. Se de alguma forma a minha demissão resolvesse o problema poderia fazê-lo, mas o problema é muito mais profundo que isso. Temos uma lei da violência e do racismo que precisa de ser muito mais agravada. Os clubes têm incapacidade de resolver. Os adeptos são penalizados e temos adeptos que não podem ter acessos aos recintos desportivos. Qualquer adepto, se estiver a cumprir uma pena deste tipo, pode chegar ao estádio e adquirir o bilhete".

Mensagem a Marega

"Deixo-lhe uma palavra de fair play, para que ele perceba que o futebol em Portugal não é isto e que eu próprio vou levar este processo até ao fim."

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