Ristovski marca presença esta terça-feira no Tribunal do Montijo, onde presta depoimento por vídeoconferência no âmbito do julgamento do ataque à Academia de Alcochete, que decorre no Triubnal de Monsanto.

O lateral-direito recordou os eventos de 15 de Maio de 2018 e referiu que na altura do ataque estava dentro do balneário, em pé. Segundo Ristovski, os adeptos entraram a gritar palavrões e ameaças, proferindo palavras como "vamos matar-vos". O macedónio diz que quis sair, mas não conseguiu porque a porta estava trancada.

"Estava no balneário, em pé. Vi os adeptos na porta de saída onde se colocam os sapatos. Fizeram de tudo para entrar, diziam palavrões e faziam ameaças", recordou.

"Tenho a certeza que no corredor estavam 15 a 25 pessoas e que dentro do balneário entraram cerca de 10 a 15. Lembro-me de um senhor que tinha um dente dourado e de dois indivíduos de raça negra", relembrou.

"Eles entraram e continuaram o caos, tentaram ver quem estava. Eu estava ao lado do Acuña", continuou a contar o lateral macedónio, que na altura estava a concluir a sua primeira temporada no Sporting.

Ristovski explicou que quando entraram os invasores tentaram perceber em quem iam bater primeiro e que a primeira vítima acabou por ser Acuña. "Quatro ou cinco de cara tapada foram em direção ao Acuña, dando-lhe chapadas de mão aberta na cara e na cabeça", contou o macedónio.

O lateral-direito afirmou também que viu igualmente agressões a Bataglia. "Tudo isto demorou dois minutos e eles lançaram tudo o que tinham, enquanto gritavam frases como 'tenham respeito, têm de jogar melhor' ou 'isto vai ser a vossa última chance'", recordou.

Quando tudo terminou, Ristovski relata que não houve reação por parte dos jogadores. "Esperávamos que alguém entrasse a dizer que era seguro. Todos ficaram paralisados, saímos meia hora depois do incidente. Tínhamos medo. Eu fiquei a apoiar os meus colegas até ao fim, quis ficar com eles e saímos em grupo", acrescentou o internacional macedónio.

Questionado por um dos advogados de defesa, Ristovski acrescentou que nenhum jogador teve reação devido ao medo que sentiam e por estarem perplexos com o que estava a acontecer.

Ristovski concluiu o seu depoimento referindo-se aos efeitos que o ataque tiveram na sua vida pessoal. "Mandei a mulher e a filha para a Macedónia, eu fiquei alojado num hotel e no final do jogo [final da Taça de Portugal, disputada no domingo seguinte] fui ter com elas. Ainda hoje, depois de derrotas do Sporting, fico com medo que se volte a repetir", terminou.

Esta terça-feira, além de Ristovski, foram inquiridos Vasco Fernandes, secretário técnico. Bruno Fernandes está a depor neste momento.

O ataque a Alcochete

Os futebolistas encontravam-se na academia do clube, em Alcochete, em 15 de maio de 2018, quando a equipa do Sporting foi atacada por elementos do grupo organizado de adeptos da claque Juventude Leonina, que agrediram técnicos, jogadores e outros funcionários do clube.

O processo, que está a ser julgado no Tribunal de Monsanto, em Lisboa, tem 44 arguidos, acusados da coautoria de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Bruno de Carvalho, à data presidente do clube, ‘Mustafá’, líder da Juventude Leonina, e Bruno Jacinto, ex-oficial de ligação aos adeptos do Sporting, estão acusados, como autores morais, de 40 crimes de ameaça agravada, de 19 crimes de ofensa à integridade física qualificada e de 38 crimes de sequestro, todos estes (97 crimes) classificados como terrorismo.

Os três arguidos respondem ainda por um crime de detenção de arma proibida agravado e ‘Mustafá’ também por um crime de tráfico de estupefacientes.

*Artigo atualizado

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