O treinador português do Al-Nassr, Rui Vitória, falou esta segunda-feira da sua época de estreia no futebol da Arábia Saudita e um dos aspectos que mais marcaram o ex-treinador do Benfica foi a diferença no ambiente que se vive em torno do desporto.

"Há muitas coisas a pensar no futebol português, mas há um aspeto em comum. Quem trabalha em França, ou Inglaterra, diz sempre que é muito mais saudável. Na Arábia Saudita, sinto o mesmo, que o futebol é muito mais saudável, na forma como as pessoas olham para o fenómeno. Há uma grande rivalidade entre os clubes, mas as pessoas circulam com as bandeiras ao lado umas das outras. Fui ao estádio do Al Hilal, o rival, e fui tratado muito bem. Há essa parte saudável, que não há em Portugal", começou por dizer Rui Vitória sobre a importância de mudar as mentalidades em Portugal sobre o desporto.

"É fundamental que as pessoas se sentem à mesa e conversem, decidir um conjunto que coisas a serem feitas. Estamos a desperdiçar uma das áreas com maior rentabilidade do nosso país. O que seria dos jornais, agentes, senhor das bifanas, carteiristas, transportes, sem o futebol?", frisou o técnico português suscitando algumas gargalhadas na plateia.

"As crianças têm de ser ensinadas a gostar de futebol, e não do seu próprio clube. Esta convivência com o desporto tem de partir de trás. São precisas regras firmes nas decisões a serem tomadas. Quando fui para a Arábia Saudita, disseram-me para não falar dos árbitros e organização, mas pensei que era melhor estar parado, apesar de a uma sexta-feira não saber onde iria ser o jogo no domingo. Um jogador se pisa, o árbitro não viu, há logo castigo. Preocupam-se com a credibilização", disse ainda Rui Vitória sobre as diferenças que encontrou na Arábia Saudita.

Sobre o futebol português, Rui Vitória recordou que por vezes é difícil aos jogadores e treinadores lidar com a comunicação social por causa da irresponsabilidade de certos agentes sobre o que escrevem.

"Ultrapassámos limites, não há tolerância, nem compreensão do público. É fundamental chegarmos aqui e definir regras. O Benfica colocou uma série de jogadores falar, ganhou e é mais fácil claro. Tem de haver regras, e não faz nada mal os jogadores e treinador sentarem com os jornalistas, mas é importante quem escreve ter esta responsabilidade, porque uma frase fora do contexto pode incendiar. Os jogadores querem falar, os treinadores também, não concordo com este fecho da comunicação em Portugal", atirou Rui Vitória.

Árbitros nacionais são bons

Em relação à sua relação com a arbitragem, o antigo técnico do Benfica recordou uma expulsão num jogo da Liga dos Campeões para defender a classe em Portugal.

"Já convivi com muitos árbitros e acho que os nosso são bons, não são todos claro, mas ninguém resiste a este clima que existe. Sentimos a dificuldade de tomar uma decisão num segundo. Ninguém está preparado para tudo o que envolve a arbitragem, sem ser arbitrar um jogo", começou por dizer Rui Vitória sobre o assunto.

"Tiremos árbitros daqui, coloquem um português a arbitrar em Espanha, um francês aqui, uma espécie de intercâmbio de árbitros. Queria ver o que iriam discutir nos programas de televisão. Fui expulso por um árbitro holandês, contra o Bayern de Munique, dei um pontapé numa garrafa, e estava fulo com o árbitro. Ele passou por mim, ele foi para a Holanda, eu fiquei, e mais ninguém falou sobre isso. O problema está que os clubes acham que podem influenciar a arbitragem, e é permitido. O árbitro não consegue fugir desta teia", frisou Rui Vitória antes de partilhar a sua opinião em relação ao VAR.

"O VAR é fantástico, mas não resulta porque a nossa cultura não deixa que resolva os problemas. É uma ferramenta fantástica. Na Arábia Saudita também temos o videoárbitro", sentenciou sobre o tema.

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