Jogadores, treinadores e dirigentes da Federação Portuguesa de Futebol (FPF) aceitaram e a seleção nacional vai doar metade do prémio pela qualificação para o EURO 2020 que, entretanto, foi adiado para o ano de 2021.

Ao todo, serão mais de um milhão de euros que seriam distribuídos por todos os jogadores envolvidos nos jogos de qualificação, além de equipa técnica e dirigentes, e que desta forma se irão juntar aos 4,7 milhões de euros já disponibilizados pela FPF para um fundo de ajuda perante a crise instalada em virtude da panedmia COVID-19.

A quantia servirá, depois, para auxiliar os clubes das competições não profissionais da FPF, casos do Campeonato de Portugal, Liga feminina, 2ª Divisão feminina, Liga de futsal, 2ª Divisão de futsal e Liga feminina de futsal.

Em comunicado, a FPF revelou que “os jogadores da seleção, a equipa técnica, os dirigentes de topo da FPF e o ‘staff’ da equipa nacional decidiram ceder metade do prémio de qualificação para o Euro2020 ­ao fundo criado para auxiliar o futebol amador”.

“A verba reforçará o fundo de apoio às competições criado pela FPF e que prevê a distribuição de 4,7 milhões de euros às associações distritais e clubes de futebol não profissional, para que jogadores e treinadores possam ser apoiados até ao final da época 2019/20”, detalha o organismo.

O Campeonato de Portugal [terceiro escalão do futebol nacional] e as restantes competições seniores não profissionais foram canceladas na quarta-feira, depois de os campeonatos de futebol e futsal dos escalões de formação terem tido o mesmo desfecho, numa decisão tomada em 27 de março último, devido ao estado de emergência provocado pelo novo coronavírus.

As competições profissionais, I Liga e II Liga, continuam suspensas, após 24 das 34 jornadas, bem como a Taça de Portugal, que tem Benfica e FC Porto como finalistas.

A seleção portuguesa, campeã da Europa, deixou uma mensagem aos jogadores das competições organizadas pela FPF, que, devido ao “não profissionalismo, sentem um impacto ainda maior da pandemia de covid-19 nas suas vidas”, reiterando “a vontade de continuar a ajudar, quer individualmente quer coletivamente, os portugueses afetados”.

“Se acreditamos fortemente que a solidariedade se pratica e não se exibe, também considerámos importante dar um sinal público de que os jogadores da seleção nacional têm nos seus pensamentos todos aqueles que, fazendo parte da família do futebol, sentiram um maior impacto da pandemia de covid-19 nas suas vidas pessoais e familiares”, lê-se na mensagem da equipa das ‘quinas’.

Salientando a partilha das “mesmas inquietações em relação à saúde pública e segurança” dos mais próximos, assim como a “vontade de regressar aos relvados”, a seleção portuguesa decidiu apoiar a ‘família amadora’ da modalidade: “Também é verdade que estamos conscientes que o futebol nos proporcionou condições de vos podermos ajudar a superar os obstáculos com que se confrontam diariamente, ao mesmo tempo que contribuímos, esperamos, para os vossos futuros sucessos”.

“Dentro deste espírito de camaradagem entre o futebol profissional e não profissional, decidimos, em equipa, abdicar de parte do nosso prémio de qualificação para o Euro2020”, remata o mesmo comunicado, acrescentando que este valor vai integrar o fundo criado pela FPF “destinado principalmente aos jogadores dos clubes de competições não profissionais”.

A UEFA atribui um prémio de participação de 9,25 milhões de euros a cada uma das 24 seleções presentes na fase final do Euro2020, que deveria realizar-se em 12 países entre 12 de junho e 12 de julho e foi adiada para 2021 (11 de junho a 11 de julho).

Em Portugal, segundo o balanço feito no domingo pela Direção-Geral da Saúde (DGS), registaram-se já 504 mortos e 16.585 casos de infeções confirmadas pelo novo coronavírus, responsável pela pandemia de covid-19.

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