Bruno Lage voltou a 'abrir o livro tático' para falar do seu Benfica. Na antevisão do jogo com o Sporting, da primeira-mão da meia-final da Taça de Portugal, o treinador das 'águias' fez uma breve pausa para falar nas tão elogiadas transições defensivas do Benfica.

"Queremos ter bola, construir a partir de trás e uma equipa só consegue ser mais equipa tendo mais posse. Mas a base de tudo é o momento de perder a bola e saber o que temos de fazer. Não há equipa nenhuma que quer ter bola e tem uma transição defensiva fraca. Quanto mais vezes recuperamos a bola no meio campo ofensivo, melhor estamos porque estamos mais longe da nossa baliza", começou por explicar, antes de falar das nuances táticas que introduziu no Benfica.

"A quantidade de vezes em que começamos a construir num corredor e acabamos noutro. São as nossas transições orientadas, onde os médios recebem e rodam, podemos falar em enquadrar receções. São apontamentos e princípios que, ligadas às questões do jogo, são ricas. Foi notório isso nos nossos jogos, a forma como ligamos o jogo, aproveitando o espaço entrelinhas e o espaço na profundidade", sublinhou.

Tudo isto, explica Lage, é "fruto do trabalho, daquilo que é o treino, que tentamos maximizar".  "Na nossa equipa técnica, digo em tom de brincadeira, que tivemos seis meses na equipa B para nos conhecer melhor e afinar dinâmicas. Mas cada um dos elementos tem bem definido a sua tarefa, cada um tem feito um trabalho fantástico, o Bruno Veríssimo, o Alexandre Silva, o mister Pietra. As coisas para treinar são tantas mas o tempo é cada vez menos mas cada um sabe o que tem a fazer em determinado momento", completou Lage, numa conferência que decorreu no Centro de Estágios no Seixal.

E como se trabalha uma equipa, quando joga de três em três dias? Lage explica que não é o ideal, até porque o tempo é usado para fazer a recuperação dos jogadores. Uma recuperação que varia de atleta para atleta.

"Há diferentes formas de trabalhar a recuperação. A diferença vai depender dos jogadores e da forma como cada um faz recuperação, que é sempre diferente, e também do intervalo entre os jogos. O que temos é um dia e meio para trabalhar entre os dois jogos [com o Sporting]. Ainda é cedo para fazer avaliações [se vamos ter Fejsa e Jonas frente ao Sporting] mas vamos trabalhar no sentido de ter uma equipa determinada e competitiva, em face da estratégia a adotar e da forma de jogar", frisou.

Instado a comparar este Benfica com de Rui Vitória na questão das transições defensivas, Lage lembrou que no início da época os 'encarnados' estavam muito fortes neste capítulo, num momento bom da equipa.

"Não consigo fazer comparações [entre este Benfica e o de Rui Vitória]. Mas sobre a transição defensiva, vi o Benfica a fazer isso no início da época, com o que foram dois meses fantásticos, com o apuramento para a Champions. As equipas vão ter sempre momentos positivos e menos bons ao longo da época. Quando se trabalha num clube como o Benfica, as vezes há momentos positivos e negativos. É preciso é ter capacidade para sair dos momentos menos bons e entrar nos momentos positivos", explica Lage, antes de tocar no assunto treino.

"Mas uma equipa que não treina perde coisas. Imagina que é estudante e tem de fazer um exame de três em três dias. Sem estudar, as notas não vão ser boas. Se não treinamos, como reparamos as coisas menos boas? Como corrigimos? As coisas vão perder-se. O que se tem de fazer é aproveitar o bom que se fez e dar inputs sobre o próximo jogo, estes pequenos sinais, sempre de forma equilibrada", terminou.

O Benfica-Sporting, da primeira-mão da meia-final da Taça de Portugal, está marcado para às 20h45 desta quarta-feira, na Luz.

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