O treinador Paulo Faria considerou hoje que a pandemia de covid-19 “congelou a atividade desportiva a nível mundial” e, no caso concreto do andebol, é como se a modalidade “tivesse uma lesão grave de paragem prolongada”.

“Vai ter reflexos profundos em tudo. No caso do andebol, vai interferir nas estruturas dos clubes, nos orçamentos, nos patrocinadores e nos calendários das provas”, considerou Paulo Faria, em declarações à agência Lusa.

De acordo com o treinador, afastado há três anos da modalidade para se dedicar a um projeto educativo em Braga, o facto de os jogadores estarem ‘parados’ há vários meses, além da preparação física orientada pelos clubes, vai levar a cuidados redobrados no regresso aos treinos.

“É uma pré-época completamente diferente da tradicional, em que os atletas estiveram 20 dias parados, e vai ter que envolver muita gente, desde treinadores, médicos, fisioterapeutas e recuperadores, para evitar lesões”, defendeu.

O antigo central e treinador que há 10 anos levou o Sporting à conquista da Taça Challenge, na época de 2009/10, afirma que o regresso dos jogadores “aos treinos de conjunto, quando tal for possível, e à competição não vai ser nada fácil”.

“Vai ser muito complicado. As equipas estão a fazer treinos de manutenção, sem objetivo competitivo, porque as provas só virão em setembro, e quando puderem treinar com contacto vão demorar algum tempo a chegar aos níveis necessários, sem correr riscos de lesão”, explicou.

Paulo Faria, que durante o seu período ativo como técnico orientou as equipas do Águas Santas (2007/08 e 2012/17) e Sporting (2008/11), considerou ainda “difícil, neste momento, os treinadores tomarem decisões sobre os processos de treino”.

A época de 2019/20, interrompida em março devido à pandemia de covid-19, foi dada por cancelada em abril, sem a atribuição de títulos, tal como no voleibol, basquetebol e hóquei em patins, e com a classificação na altura da suspensão a ordenar aos clubes nas competições europeias.

No início da época de 2020/21, adiantou a Federação de Andebol de Portugal (FAP), serão realizadas “competições de apuramento para as subidas de divisão em todos os níveis competitivos”, num formato ainda a anunciar.

A federação anunciou ainda uma série de medidas com vista a apoiar os clubes, da redução dos custos com inscrição e participação nos escalões de formação à redução do número de jogos em 2020/21, reduzindo os custos de organização e participação.

Outra das medidas é a atribuição de créditos aos clubes e o estabelecimento “de planos de pagamentos de médio prazo e eventual estabelecimento de moratórias parciais até ao mês de agosto de 2020”.

Após a declaração de pandemia, em 11 de março, as competições desportivas de quase todas as modalidades foram disputadas sem público, adiadas – Jogos Olímpicos Tóquio2020, Euro2020 e Copa América -, suspensas, nos casos dos campeonatos nacionais e provas internacionais, ou mesmo canceladas.

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