Três jogadores da seleção nacional de basquetebol em cadeira de rodas (BCR) integram esta época o plantel do Abeconsa Basketmi Ferrol, equipa da província espanhola da Galiza, apostada em chegar à melhor liga do mundo da modalidade.

Pedro Bártolo e Luís Domingos rumaram a Ferrol depois de na época passada terem representado o Varese (Itália), enquanto José Miguel Gonçalves emigrou pela primeira vez depois de cinco épocas na equipa da Associação Portuguesa de Deficientes (APD) de Braga.

Em declarações à agência Lusa, os três internacionais portugueses falaram de uma reunião que poderá beneficiar não apenas a equipa galega, mas também a seleção portuguesa apostada em 2021 em subir à Divisão B.

Formado no Reino Unido para onde emigrou ainda criança com os pais, Luís Domingos, de 21 anos, aprendeu “numa das melhores escolas do mundo” e, como salientou Pedro Bártolo, assim que foi descoberto “chegou, viu e venceu” na seleção portuguesa, tendo sido dos três o primeiro a rumar a Espanha.

Aos 28 anos, Pedro Bártolo, de Vila Nova de Gaia, é o mais experiente dos três e soma seis épocas a jogar no estrangeiro, avançando para a sétima depois de refletir sobre a realidade da modalidade em Portugal.

“A realidade em Espanha vale a pena. Uma das minhas motivações para este ano é conseguir manter-me a um nível mais elevado”, disse sobre a decisão de voltar a Espanha para poder continuar a ser profissional.

E prosseguiu: “Pensei primeiro parar um ano, fugir desta azáfama de seis anos fora de casa e sempre a viajar, mas, ao regressar, constatei que iria ser muito difícil para mim treinar apenas duas vezes por semana e no contexto da realidade portuguesa, onde há carências muito graves ao nível do treino e equipas pouco competitivas e, acima de tudo, a impossibilidade de pagar aos jogadores para praticar nem que seja em regime semiprofissional.”

Tomada a decisão, optou “por fazer o sacrifício de viajar todas as quintas-feiras e domingos, de fazer 700 quilómetros por semana para continuar a jogar a alto nível”, numa viagem acompanhada a partir de Braga por José Miguel Gonçalves, de 24 anos, e que aceitou o convite para atravessar a fronteira.

“Sendo o único que nunca representou um clube estrangeiro a principal dificuldade está em conciliar a parte académica com a desportiva. A parte da adaptação foi mitigada pela companhia de dois amigos com mais experiência, por ter uma equipa que nos acolheu muito bem e a língua ser muito semelhante”, disse o jogador minhoto, a concluir o mestrado em Física Médica - Medicina Nuclear.

A tempo inteiro em Ferrol, uma vez que a família permanece no Reino Unido, Luís Domingos relatou que os dias sem os dois colegas “são compensados pelos treinos”, sendo que, como à quarta-feira não há preparação, “aproveita para descansar”.

Representando “um quarto da seleção portuguesa, treinar e jogar juntos poderá trazer mais-valias à seleção na luta pela subida à Divisão B”, admitiu Pedro Bártolo, de um trabalho que “ajudará em termos de rotinas”, em contraponto com o que acontece em Portugal nos trabalhos da seleção, pese embora que em 2019 tenha sido “um pouco suprida por haver mais estágios de preparação”.

“Isto pode ser uma alavanca importante para que o BCR dê o salto já em 2021”, salientou o jogador de Gaia, enfatizando José Miguel com a “maior carga de treinos semana – e o facto de o Luís trabalhar a tempo inteiro com jogadores muito experientes – ajudar também individualmente”.

O basquetebolista minhoto descreveu a profissionalização do BCR em Portugal como “um caminho que está a ser feito aos poucos”, lembrando o passo dado ao passar a integrar a federação.

Com contratos de nove meses – período em que dura a época em Espanha -, segundo Luís Domingos, o “objetivo é subir à primeira divisão espanhola, considerada a melhor do mundo”

“Não somos considerados favoritos, mas o objetivo é chegar à final 4 que definirá quem vai subir”, acrescentou José Miguel.

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