Os abandonos do jamaicano Usain Bolt e do britânico Mo Farah, após os Mundiais de atletismo de Londres, há dois anos, nos quais foram as grandes figuras, deixaram um vazio na na modalidade ainda não preenchido.

Em Doha, agora, as duas 'vedetas' são a temperatura, com máximas acima dos 38 graus, e a humidade, que deve andar pelos 80 por cento. Se juntarmos a isso a realização de provas de madrugada - maratonas a terminar depois das duas horas, marcha pode ir até à quatro... -, vemos um quadro absolutamente inédito para os atletas.

Para 'compensar' a extensão do programa para a noite e madrugada, nem sequer haverá a habitual sessão da manhã, dedicada a qualificações e primeiras rondas.

As condições são iguais para todos, é uma máxima não desmentida no desporto em geral, mas neste caso são más para todos, especialmente para quem nunca competiu assim, ou seja a grandíssima maioria dos atletas.

Os Mundiais chegam pela primeira vez a um país do Médio Oriente, algo que orgulha a IAAF, associação internacional de federações de atletismo. Mesmo que não se possa desmentir, além das condições climatéricas, as quase nulas tradições do país na modalidade.

É certo que organiza um meeting de nível mundial há anos e que em Londres2017 até teve um campeão, Mutaz Essa Barshim, no salto em altura - que nem sequer defende a sua 'coroa' em casa, por lesão.

Sem ele, pode bem acontecer que o país organizador fique sem medalhas ou sequer lugares de destaque (os obstáculos não parecem opção, também), o que seria inédito

A nível individual, uma das figuras que pode brilhar é justamente o homem que derrotou Pedro Pablo Pichardo há quatro anos e Nelson Évora há dois, Christian Taylor, que aponta para quarto título no triplo salto.

Um feito que não será inédito, mas que é bastante invulgar - ainda assim, 18 atletas já o fizeram, incluindo os que integraram estafetas vencedoras.

Em termos de grandes sequências, um português se vai destacar: é João Vieira, nos 50 km marcha, com a sua 11.ª presença, ficando a uma apenas do já retirado Jesus Angel Garcia, espanhol e também dos 50 km marcha.

Na 'prova rainha' da pista, os 100 metros, os norte-americanos Justin Gatlin e Tori Bowie estão em Doha, muitos 'furos' abaixo do que fizeram há dois anos, especialmente ela.

Os norte-americanos 'apostam tudo' em Christian Coleman, o homem mais rápido do ano, e os jamaicanos na dupla Shelly-Ann Fraser-Pryce e Elaine Thompson.

Fora do estádio, a carismática maratona é das provas mais afetadas, não só pelas condições 'agrestes' de corrida, mas também pelo facto dos melhores 'menosprezarem' os Mundiais, para não comprometer uma maratona 'comercial' no Outono.

As ausências de atletas de topo são muitíssimas, mas Geoffrey Kirui, do Quénia, defende o título, tal como Rose Chelime, do Bahrein.

As provas antecipam-se como de resultados imprevisíveis, com uma 'mão cheia' de candidatos, em ambos os casos.

O norte-americano Noah Lyles (200 metros), o queniano Timothy Cheruyot (1.500 metros), o norueguês Karsten Warholm (campeão dos 400 metros barreiras) ou o cubano Juan Miguel Echevarria (comprimento) são fortes candidatos a brilharem, atendendo às recentes grandes marcas feitas.

Mas a prova em que se antevê mesmo um despique tremendo é o salto com vara, com três atletas acima dos seis metros - Sam Kendricks, dos Estados Unidos (campeão), Arnaud Duplantis, da Suécia, e Pior Lisek, da Polónia.

O melhor 'duelo' no setor feminino pode ser o do heptatlo, entre a campeã Nafissatou Thiam, da Bélgica, a defender a coroa, e a britânica e a britânica Katarina Johnson-Thompson, as únicas apuradas com mais de 6.800 pontos.

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