O fim do estado de emergência, devido à pandemia de COVID-19, não alterou as rotinas das atletas Jéssica Augusto e Susana Costa, que treinaram hoje da mesma forma que têm feito desde a implementação das medidas de confinamento.

 A fundista do Sporting admitiu, em conversa com a Lusa, que nunca deixou de sair à rua para treinar, apesar de o fazer a “lutar contra a cabeça e os medos”, enquanto a especialista de triplo salto lembrou que as pistas de atletismo “continuam encerradas”, o que impede o trabalho específico dos atletas de disciplinas mais técnicas.

 “A reabertura dos equipamentos desportivos é muito urgente! Já são quase dois meses a treinar em casa e isso acaba por nos atrasar. O triplo salto é uma disciplina técnica e não poder estar num espaço próprio para calçar ‘bicos’, num terreno menos duro, limita muito mais a performance”, explicou a finalista do concurso de triplo salto nos Jogos Olímpicos Rio2016.

 Impedida de utilizar a pista municipal da Maia para os seus treinos, como faz habitualmente, Susana Costa tem optado por trabalhar maioritariamente em casa ou na garagem, apesar de ter um jardim nas imediações. O “problema” é que “tem muita gente” e a atleta da Academia Fernanda Ribeiro prefere resguardar-se.

 Uma opção que não favorece os atletas das disciplinas de fundo e meio-fundo, que, por se encontrarem “privados de usar as pistas e de estar com o treinador”, tiveram a “facilidade de sair e correr na rua” desde o primeiro dia, apesar da reprovação de alguns transeuntes.

 “No início, criei um circuito de cinco quilómetros à volta do quarteirão e, como as pessoas daqui me conhecem, não tinha esse problema. Mas, quando a motivação começou a faltar, comecei a ir até à marginal e há pessoas que olham de lado. Treino sempre com um colega e há pessoas que não lidam bem, outras buzinam, mas temos de estar preparados e lidamos bem com isso”, desvalorizou Jéssica Augusto.

 A atleta ‘leonina’ estava a preparar a maratona de Tóquio2020 e admitiu que a pandemia e o adiamento dos Jogos Olímpicos alteraram os planos e objetivos dos fundistas, uma vez que as grandes maratonas “como a de Berlim” foram cancelas.

 “Agora, estamos dependentes de que a federação de atletismo retome o calendário competitivo. Temos esperança que, até ao final de agosto, possamos fazer pelo menos os campeonatos nacionais de pista”, apelou a campeã europeia de corta-mato em 2010.

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