O diretor desportivo do Comité Olímpico de Portugal (COP), Pedro Roque, defendeu hoje que o grau de adaptabilidade dos atletas lusos ao “muito calor e elevada humidade” em Tóquio pode definir o êxito da participação em Tóquio2020.

“Muitos apontam que estão criadas as condições para haver muitas surpresas. Os mais adaptados às adversidades em Tóquio vão obter os bons resultados. Pretendemos que essas condições adversas possam ser favoráveis para nós, pois, se estivermos bem adaptados, serão adversas para os que não estiverem. Vamos tentar isso na nossa missão na medida do que é possível”, assegurou.

Em declarações à Lusa, o professor universitário destacou as elevadas temperaturas e a humidade no país asiático, “sobretudo nas modalidades ‘outdoor’ nas quais vai ser um fator de elevadíssima interferência nos resultados desportivos”.

Tendo em conta precisamente esta preocupação, o COP já promoveu um seminário com as federações desportivas no qual enfatizou a importância de uma boa adaptação à realidade prevista.

“Para que, com a devida antecedência, as equipas técnicas, médicas, de psicologia e todas as áreas científicas à volta dos atletas possam preparar da forma mais conveniente para as condições que vamos encontrar de 24 julho a 09 de agosto no Japão”, reforçou.

Nesse sentido, Pedro Roque assumiu que é “determinante” que todos os que puderem participar nos eventos teste de Tóquio2020 não desperdicem a oportunidade de experienciar, “presencialmente”, o contexto no terreno.

“Sem dúvida que é uma questão fundamental. Há muito tempo que recomendamos essa situação. (….) Se conseguirmos estar verdadeiramente adaptados, essas condições jogam a nosso favor. É isso que estamos a tentar transmitir”, insistiu, dando como exemplo a prova de canoagem e a especificidade de a pista ser de água salgada.

Pedro Roque está “muito satisfeito com os indicadores” que tem recebido quanto à forma como a missão para Tóquio2020 está a ser encarada pelos diversos agentes desportivos, encontrando “vontade e ambição generalizados de conseguir bons desempenhos” no Japão.

“Sabemos que temos vários excelentes atletas, mas ao mais alto nível esse número não é tão elevado de forma a permitir-nos dizer, com enorme margem de certeza, que isso (superar as metas contratualizadas com o Estado) vai acontecer”, advertiu, manifestando-se, no entanto, “entusiasmado” com o que viu na Missão portuguesa aos Jogos Europeus, em Minsk, nos quais foram arrecadadas 15 medalhas.

O contrato-programa que o COP assinou com o governo prevê duas posições de pódio, 12 diplomas, com classificações até ao oitavo lugar, bem como 26 competidores a ficar até 16.º.

“Estamos a trabalhar para isso. O cumprimento destes objetivos – e sujeitos a diversos tipos de análises e interpretações – provavelmente podem dar o melhor conjunto de resultados de sempre de prestação olímpica. Já a partida, a bitola é elevada”, lembrou.

O responsável do COP enfatizou a importância da determinação dos desportistas em “fazerem tudo o que estiver ao seu alcance para em Tóquio fazerem a melhor prestação do ciclo”, considerando que se isso for possível Portugal pode ter resultados “eventualmente de qualidade ímpar na sua história”.

Falhada a ambição de levar uma modalidade coletiva, a comitiva será mais reduzida do que para o Rio2018 – foram 18 no futebol masculino -, pelo que Pedro Roque estima uma seleção entre 70 a 80 elementos.

O responsável assegurou “toda a disponibilidade, vontade e empenho em ajudar federações, atletas e treinadores” para a obtenção dos objetivos, sejam os da qualificação, seja posteriormente do melhor desempenho no Japão.

Até ao momento, Portugal tem 23 vagas oficialmente confirmadas, cinco na canoagem, no atletismo e na natação, quatro no hipismo, duas na vela, uma no ténis de mesa e outra no tiro com armas de caça.

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