O percurso desportivo da fixo, posição que ocupa dentro do campo, valeu-lhe a atribuição, este ano, pelos municípios da Covilhã, Fundão e Belmonte, do Galardão Mulher Notável.

Começou no atletismo e, a partir dos 13 anos, no futsal. Dá aulas de ginástica, já treinou futebol masculino, o GDA Donas, tem colecionado títulos distritais e é a atual selecionadora distrital de futsal de sub-17.

Há quatro assumiu o grande desafio: formar a própria equipa, conseguindo juntar várias jogadoras, antigas adversárias ou colegas, que já tinham abandonado o futsal por motivos familiares e profissionais.

Na última época, viveu "o momento mais alto no desporto", quando o Valverde subiu ao principal escalão, num território onde "é tudo mais difícil de alcançar e exige mais esforço".

"É tudo mais difícil no interior, começando na base de recrutamento reduzida, na dificuldade em conseguir apoios, nas deslocações constantes", salienta, em declarações à agência Lusa, sempre com os olhos fixos na quadra e a dar indicações ou corrigir posicionamentos durante o treino.

Catarina Rondão gesticula, pede paciência à defesa, insiste na finalização, exaspera-se quando falha a qualidade no passe. "Dá largura", "isso tem de dar golo", "rápido, sai, fecha", "não quero linhas tão baixas", vai gritando.

Uma inquietude que mantém durante os jogos. "Ela envolve-se muito, porque sabe o que podemos fazer melhor, por isso é difícil manter-se na zona técnica", conta a jogadora Liliana Soares.

Na pausa para beber água, Daniela Furtado, de 32 anos, lembra ter aprendido os princípios do futsal com Catarina Rondão, na primeira equipa treinada pela técnica superior na Câmara Municipal do Fundão.

"Passei mais de metade da minha vida a aturá-la", graceja a guarda-redes, acrescentando: "É muito ambiciosa, luta pelos objetivos e obriga-nos a focar-nos. Desde essa altura, tornou-se uma treinadora mais completa".

Foi há cinco anos que Catarina Rondão deu por si presidente do Valverde, clube da terra natal. Começou por dar algumas sugestões aos dirigentes e acabou desafiada a encabeçar o projeto. Uma função que se tem revelado "desgastante, mas também estimulante".

"Esta parte da organização tem sido uma descoberta. Requer grande dinâmica e, quando se trabalha de forma organizada, o resultado vê-se", salienta à agência Lusa.

Com as exigências da primeira divisão, também não tem sido fácil jogar e treinar, o que a tem obrigado a quase nunca equipar.

"É mais fácil ter uma abordagem pedagógica fora da quadra, não é possível fazê-lo com o mesmo rigor lá dentro e dá-me um gozo enorme analisar o jogo enquanto ele está a decorrer", frisa a também estudante de doutoramento, área em que relaciona a influência do exercício físico na progressão da doença de Alzheimer.

Rute Duarte, internacional portuguesa, inicialmente rival de Catarina, depois colega de equipa e amiga, sente-lhe a falta ao lado. "Ainda tem aqueles pezinhos", vinca, elogiando-lhe "a persistência". "Se o futsal feminino ainda existe no distrito, é muito graças a ela", enfatiza.

Passar de colega a presidente e treinadora foi encarado "com naturalidade". "Ela mostrou competências e ganhou o nosso respeito. Acima de tudo, somos grandes amigas, mas conseguimos separar as coisas", garante Rute Duarte, à agência Lusa.

Catarina Rondão resolveu esse possível problema "com uma conversa muito clara e honesta". "Expliquei que dentro das quatro linhas sou a treinadora e fora do pavilhão a amiga", recorda. Além disso, tem a preocupação de analisar algumas decisões em conjunto, aproveitando a experiência do grupo.

No futuro próximo, espera que surja "a estrelinha da sorte" para aliar ao "bom futsal praticado a nível nacional" e assim assegurar a manutenção e poder continuar a evoluir numa modalidade "mágica, que é inteligência em movimento" e "obriga a adaptações constantes".

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