Os clubes que vão disputar o acesso à II Divisão nacional de futsal feminino consideram a decisão de criar um escalão intermédio um passo importante para o desenvolvimento da modalidade.

A Federação Portuguesa de Futebol (FPF) anunciou hoje a criação da nova prova e Catarina Rondão, presidente e treinadora do Grupo Desportivo de Valverde, o clube do concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco, de onde partiu a iniciativa de fazer a proposta, a que os outros emblemas se associaram, afirma estar-se "a colmatar uma lacuna".

"É um passo muito importante para o desenvolvimento da modalidade. Vamos criar algum equilíbrio na transição entre competições. Quem descer vai para um nível intermédio e não para o distrital, onde o nível competitivo é muito desnivelado, assim como o inverso", frisa Catarina Rondão, em declarações à agência Lusa.

Para Paulo Santos, treinador e vice-presidente do Futsal Feijó, a resposta ao apelo dos clubes, que tiveram o apoio das respetivas associações de futebol, "é um passo enorme para a evolução do futsal feminino".

"É importante haver mais quadros competitivos, mais espaço onde as atletas possam crescer, onde os nossos selecionadores possam ver as atletas escondidas nos distritais", realça, à Lusa, o técnico do Futsal Feijó.

Catarina Rondão acentua que, além de a discrepância entre quem transita entre escalões ser atenuada e facilitar a adaptação das equipas a exigências diferentes, a II Divisão é também um incentivo para os emblemas que disputam os campeonatos distritais, com a saída dos habituais campeões.

"A II Divisão vem criar a ambição nos restantes clubes de chegarem progressivamente ao escalão maior da modalidade, dando-lhes a competitividade necessária com a saída dos campeões crónicos", salienta Catarina Rondão, que vê cumprida uma "aspiração de há muito" e que "era consensual".

A opinião é partilhada por Paulo Santos. O treinador do Futsal Feijó entende que o novo escalão trará "visibilidade e crescimento", ao criar espaço para outras equipas evoluírem nos campeonatos distritais.

"De certeza que vai haver mais equipas a inscreverem-se, porque veem mais um patamar onde podem chegar", antecipa o técnico e dirigente do Feijó, há quatro épocas campeão distrital em Setúbal.

A presidente do Valverde, que no ano passado desceu da I Divisão para o distrital de Castelo Branco, campeonato que terminou invicto, enfatiza ser uma oportunidade de os emblemas formarem futsalistas para poderem atingir os seus objetivos.

Antes do início das competições está prevista a Taça Nacional, com seis grupos de quatro equipas cada.

Sobem ao novo escalão intermédio do futsal nacional os dois primeiros classificados de cada grupo, num total de 12 equipas que vão disputar uma série única.

Nas próximas duas épocas a II Divisão vai ser disputada por 12 clubes, aumentando para 16 na temporada 2022-2023.

Também no principal escalão estão previstas alterações, com uma redução gradual do número de equipas.

Na próxima época a prova mantém-se com 16 emblemas, que passam para 14 na temporada seguinte e para 12 em 2022-2023

Devido à pandemia provocada pela covid-19, a FPF decidiu que não vai haver descidas da I Divisão e, quando a realização da Taça Nacional, prova em que os campeões distritais e alguns segundos classificados iriam disputar a subida, era uma incógnita, os clubes defenderam ser a oportunidade para criar um escalão intermédio.

Dos 24 clubes que iriam disputar a Taça Nacional de futsal feminino, 23 subscreveram a proposta com vista à implementação do novo patamar competitivo e foi criado o movimento #DividirParaEvoluir.

A FPF anunciou também alterações no futsal masculino, entre as quais a criação de uma III Divisão nacional.

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