Uma equipa de 19 elementos de vários postos hierárquicos da Guarda Nacional Republicana (GNR) defende, a partir de segunda-feira, o título mundial que conquistou há um ano, também na Bélgica, no campeonato mundial de forças de segurança.

A equipa da Associação Profissional da Guarda/GNR (APG) sagrou-se campeã do Mundo frente à seleção da Roménia e, a partir de segunda-feira, e até 30 de novembro, voltará a competir na cidade belga de Lommel, entre 42 seleções e num campeonato, que, para o treinador Duarte Alves, cabo da GNR de 44 anos, será de “dificuldade acrescida”.

«O ano passado íamos com a vontade de fazer o que pudéssemos. Este ano não, este ano somos os campeões do Mundo. Toda a gente vai olhar para nós. Por isso, há que trabalhar a mentalidade, a parte psicológica», disse à agência Lusa Duarte Alves, durante o treino da equipa no pavilhão do Freixieiro, em Perafita.

O facto de competirem com forças de segurança de vários países implica, por vezes, que se defrontem com equipas de especialização e preparação física mais elevadas, algo que para o cabo Duarte Alves obriga a treinar de modo diferente de jogo para jogo.

«Neste campeonato do Mundo, tudo o que é de países do leste é muito complicado. A primeira vez que jogámos contra os kosovares, [vimos que] é tudo gente com muito físico, como os russos. Mas nós, com o nosso futsal abrasileirado, como eles dizem, damos conta deles. Eles podem vir com a força toda, mas nós, com a nossa inteligência, superamos isso muito bem e da melhor maneira», assegurou o treinador.

Também para o cabo Armando Pinheiro, 38 anos, nos jogos de futsal entre forças de segurança «não há lugar para hierarquias», sobretudo dentro da mesma equipa, pelo que não teria qualquer problema em fazer faltas a superiores durante os treinos.

«Dentro da instituição [da GNR] é uma coisa, temos uma sensibilidade quanto a essa situação», disse à Lusa numa pausa do treino, para reforçar que «dentro do campo não se vai olhar a essas coisas, se é oficial, se é sargento ou praça.»

«Somos todos jogadores e lutamos todos pelo mesmo, o que queremos é simplesmente vencer e não olhamos muito a essa situação», sublinhou.

Já quanto ao nível de treino das forças de segurança mais especializadas, Armando Pinheiro admite que «há países que vêm preparados».

«A nossa preparação faz-se dentro do nosso grupo de amigos, vamos fazendo os nossos treinos conforme a disponibilidade de cada um, mas temos a noção de que há países bastante fortes, que se preparam especificamente para as competições», frisou.

Nuno Pereira, com 34 anos e guarda na cidade do Porto, concorda com as palavras do colega e treinador e diz que as principais dificuldades deverão surgir frente às «equipas do Leste, que são muito mais militarizadas e têm um regime muito mais fechado».

Mas o que preocupa o guarda é mesmo o facto de entrarem na competição «como os vencedores do ano passado».

«À partida, vamos ser uma equipa que toda a gente vai querer vencer. Vamos ter que saber lidar com essa pressão, entrar com humildade e tentar fazer o nosso melhor», disse à Lusa.

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