O ‘motard’ português Paulo Gonçalves conta este ano com a ajuda dos antigos adversários Hélder Rodrigues e Rúben Faria, que integram a estrutura da Honda na 41.ª edição do Rali Dakar de todo-o-terreno.

O piloto de Esposende, segundo classificado em 2015 nas motos, tem, este ano, a ajuda de dois ‘pesos pesados’ do TT nacional. Os antigos pilotos Hélder Rodrigues e Rúben Faria foram contratados no final de 2018 pela equipa oficial da Honda como ‘riders advisor’ e ‘team manager’, respetivamente, numa estrutura que contava já com Bianchi Prata como responsável da logística e Marco Reis como mecânico.

"São antigos pilotos, com muita experiência, e que terminaram ambos no pódio. Têm por função apoiar-nos durante a corrida e ajudar com alguma dúvida que nos surja. Participarão mais na preparação do ‘road book’ e na abordagem à especial seguinte. Somos cinco pilotos na equipa e podemos não estar atentos a todos os pormenores, pelo que nos vão ajudar com a sua experiência", explicou Paulo Gonçalves à agência Lusa.

Hélder Rodrigues participou em 11 edições da prova, entre 2006 e 2017, somando oito vitórias em especiais e dois terceiros lugares, em 2011 e 2012, com a Yamaha. A última participação do antigo corredor foi em 2017, tendo terminado na nona posição.

Rúben Faria foi segundo classificado em 2013, pela KTM, contando dez participações, incluindo a do ano passado, em que foi navegador do treinador de futebol André Villas-Boas, num Toyota. A dupla portuguesa teve de abandonar na quarta etapa, na sequência de um acidente numa duna.

Paulo Gonçalves explicou que a iniciativa de contratar os antigos pilotos "partiu da própria equipa, que procurava experiência" para ajudar os seus pilotos.

Aos 39 anos, ‘Speedy’ Gonçalves, como é conhecido, parte para a 41.ª edição do Rali Dakar com o objetivo de "terminar", depois de ter sofrido uma queda no dia 07 de dezembro, que o levou à mesa de operações para retirar o baço. Uma lesão ainda recente e que o impediu de concluir a preparação da melhor maneira.

"Sinto-me fora da forma ideal, mas com determinação para atingir o objetivo", garantiu o piloto de Esposende, que no ano passado ficou de fora devido a lesões no ombro esquerdo e joelho direito.

Este ano, o cenário esteve quase a repetir-se: “A queda não foi nada de especial. Levantei-me logo, mas como estava indisposto, fui ao hospital. Fui logo operado", recorda.

Apesar de já ter tido alta médica no início da semana, sabe que terá de "tentar não ter nenhum acidente que possa provocar um grande impacto na zona abdominal".

"O Dakar nunca é fácil. Sobretudo para quem está fora da forma ideal. Estou a recuperar dos pontos, mas também perdi muito sangue. Foram cerca de três litros. Por isso fui operado de urgência. Nas últimas semanas, a recuperação foi, sobretudo, para repor os níveis de hemoglobina, que ficaram muito baixos", explicou o piloto da Honda.

O facto de ser uma prova mais curta, com dez etapas em vez das habituais 14, deixa Paulo Gonçalves de ‘pé atrás’. "Com certeza que a organização preparou muitas armadilhas para manter a corrida em aberto. Grande parte do percurso será disputada em dunas e em areia, pelo que será muito desgastante em termos físicos e mecânicos. Com areia e dunas haverá muita navegação", observou o piloto, de 39 anos.

A 41.ª edição do Rali Dakar decorre entre segunda-feira e 17 de janeiro, no Peru.

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