O piloto português António Félix da Costa garantiu estar em condições de lutar pelo título de campeão na nova época de Fórmula E, depois da mudança da BMW para a equipa campeã DS Techeetah.

"Numa equipa campeã é claro que existe a pressão [do título], mas vejo isso como uma motivação. Andava à procura das armas. Na BMW tínhamos uma arma boa, mas não a melhor. Na DS Techeetah, o pacote é mais completo, tenho aqui as armas certas para poder lutar pelo campeonato", afirmou.

Em entrevista realizada durante os primeiros treinos oficiais com a nova marca, no circuito Ricardo Tormo, em Valência (Espanha), o piloto, de 28 anos, garantiu não ter de "estar a provar" o seu valor face aos seis anos de passagem pela marca germânica.

Na companhia do atual bicampeão, Jean-Éric Vergne, António Félix da Costa lembrou o passado de ambos na Red Bull e revelou que o francês foi uma das razões para a sua mudança neste verão.

"Quem engendrou a mudança foi o Jean. Obviamente, seria complicado vir para uma equipa campeã, contra o colega campeão, mas, tendo vindo dele, deu-me muita confiança", frisou, sublinhando a relação "muito boa" entre ambos: "Estamos a trabalhar bem juntos. Ficar à frente dele é sempre importante, mas tenho noção de que estou a entrar na ‘casa' dele, uma equipa francesa, ele é francês e são os campeões. Por isso, vou fazer as coisas com calma".

Num tempo cada vez mais marcado pela consciência ambiental a nível global, António Félix da Costa enalteceu igualmente o papel que a Fórmula E pode desempenhar nesse âmbito, promovendo a mobilidade elétrica em detrimento dos combustíveis fósseis.

"Estamos a ver o mundo ir nessa direção e, para estas marcas, isto é um palco. Não só de marketing, mas também de desenvolvimento das unidades motrizes e da tecnologia. Este campeonato é um ‘boost' para mostrar que os carros elétricos estão na moda. Agora há carros elétricos muito bonitos, rápidos e com uma autonomia cada vez maior", notou.

O piloto português disse não ver que o crescimento da Fórmula E possa significar uma desvalorização da Fórmula 1, preferindo a coexistência das duas competições no futuro.

"A Fórmula E está a crescer com naturalidade. Não creio que vá ser igual à Fórmula 1 e não queremos ser iguais. A ideia é muito diferente e creio que há espaço para os dois: a Fórmula 1 vai continuar a ter o carro mais rápido do mundo, com o melhor da aerodinâmica, e este é um palco diferente, para construtoras de carros elétricos virem aqui melhorar os seus veículos e promoverem-nos", explicou, salientando a competitividade da prova.

O piloto português reconheceu que a Fórmula 1 não está mais nos seus horizontes, depois de ter acalentado a esperança de entrar para o ‘grande circo’ durante alguns anos, e nem a perspetiva de uma curta experiência parece convencer o piloto da DS Techeetah.

"Não vivo a pensar na Fórmula 1. Mesmo com uma chamada para ir lá fazer um fim de semana e poder acabar em sétimo ou oitavo, tendo aqui a oportunidade de lutar por ganhar? Acho que continuaria por aqui", confidenciou, assinalando: "Aqui todos os pilotos podem ganhar uma corrida se o carro estiver bem".

Ciente de que a experiência na equipa campeã de Fórmula E pode atrair mais atenções para a modalidade em Portugal, António Félix da Costa mostrou ter o sonho de ver Lisboa integrar o calendário da competição, que conta com 14 corridas em 12 cidades, sendo a capital da Arábia Saudita, Riade, a receber as duas primeiras provas, em 22 e 23 de novembro.

"Seria muito bom. É um tema sobre o qual sou demasiado pequeno para poder influenciar algo. É claro que eu e os portugueses gostaríamos, penso que faz falta. Pode ser que haja dinheiro para avançar. Investe-se dinheiro no início, mas no final faz-se crescer o turismo. Não sou político, sou piloto, por isso não depende de mim", concluiu.

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