A forma como a tecnologia colocou no mapa três nadadores de competição. Este podia ter sido o título desta história feliz, que se iniciou em Seekonk, no estado de Massachusetts, nos Estados Unidos da América e que foi difundida pela 'BBC'.

Cabo Verde vai estrear-se na natação em Tóquio 2020, com um contingente de quatro atletas: três deles são os irmãos Latroya, Troy e Jayla Pina.

O trio nunca esteve no arquipélago, mas é lá que estão as suas raízes: a mãe de Latroya, Troy e Jayla Pina é natural de Cabo.

A forma como foram descobertos por uma delegação cabo verdiana foi no mínimo curiosa. A matriarca da família Pina colocou os tempos dos filhos na internet e no final, os três acabaram selecionados para a comitiva de Cabo Verde. Apesar de serem nadadores de competição,  Latroya, Troy e Jayla nem sequer sonhavam em chegar aos Jogos Olímpicos.

"Pensávamos que era alguém a tentar enganar-nos", revelou Latroya, a irmã mais velha, com 22 anos, que foi a primeira mulher da família a aprender a nadar.

Apesar de terem nascido e crescido nos Estados Unidos, os três irmãos tiveram sempre contacto com a cultura da terra onde nasceu Cesária Évora, nomeadamente através da música.

O objetivo para os Jogos é "elevar o nome de Cabo Verde bem alto nos Jogos Olímpicos", referiu Latroya.

A natação nunca foi propriamente a 'praia' dos atletas negros. Ainda há pouca representação da comunidade negra nessa modalidade. De acordo com um estudo da 'USA Swimming Foundation', 64% dos jovens afro-americanos têm dificuldades em nadar.

As razões para a existência de tão poucos praticantes é pouco clara, mas aqui não são alheias razões sócio-económicas.

Aqui também entram factores genéticos. Devido à maior densidade muscular, os atletas de raça negra têm maior dificuldade em flutuar.

Ao contrário do atletismo, em que a massa muscular funciona como uma vantagem, na natação é um obstáculo em relação a atletas mais esguios. Em termos genéticos, a raça branca tem maior percentagem de gordura, mas também melhor capacidade de flutuação.

Foi em 2016 que a primeira mulher negra conseguiu conquistar a primeira medalha olímpica na natação. A família Pina quer agora seguir as pisadas da afro-americana Simone Manuel, que logrou a medalha de ouro, nos 100 metros livres.

Mãe solteira de três, a mãe Pina não consegue esconder a satisfação. "Não poderia ter mais orgulho neles", atirou.

Cabo Verde nunca ganhou uma medalha olímpica e quem sabe, este contributo não poderá desenvolver a modalidade no país e poder assim dar frutos no futuro. Neste momento, o país não conta com nenhuma piscina olímpica.

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