O tenista português Gastão Elias não sabe quando poderá voltar a disputar um torneio de ténis, face à pandemia da covid-19, mas pretende estar nas melhores condições físicas assim que terminar a quarentena que está a cumprir no Brasil.

O jogador da Lourinhã terminou precocemente a última temporada, em outubro de 2019, após uma cirurgia para limpar os corpos livres da articulação do cotovelo direito e debelar mazelas na lombar. Regressou à competição apenas em janeiro e, apesar de ter desistido do torneio Rancho de Santa Fé, por ainda não estar bem, assegura que estava pronto para voltar aos ‘courts’ quando o ténis foi suspenso em todo o mundo.

“Ia jogar um torneio ‘challenger’ no Brasil, na mesma semana de Indian Wells. Já me sentia bem, a 100%, e tinha previsto jogar depois uns torneios ‘future’ na Califórnia, mas com a pandemia acabei por não jogar e ficar no Brasil”, começa por contar à agência Lusa.

O jogador português, que ocupa o 532.º lugar no ‘ranking’ ATP, tem como base de trabalho Miami, onde reside com a mulher Isabela Miró, mas, atendendo ao novo coronavírus, optou por fazer quarentena junto da família da jovem esposa.

“Estou no Brasil desde 10 de março e, como vimos que a situação estava a piorar, a Isabela veio ter comigo, até porque achei arriscado fazer um voo de tantas horas para Portugal. As fronteiras, entretanto, fecharam e ficámos em isolamento social em Curitiba, onde temos uma boa estrutura”, explica.

Além da casa do sogro e da sogra, uma ex-tenista profissional e antiga top-100 mundial, Gisele Miró, Gastão Elias e a mulher também aproveitam as condições da residência de férias da família para manter a forma, embora seja “permitido”, segundo conta, “fazer exercício físico na rua e os parques continuem abertos”.

“Temos muito espaço ao ar livre, ginásio em casa e um ‘court’ de ténis de um amigo para treinar. Os clubes estão fechados, mas o treino continua”, avança o antigo 57.º colocado na hierarquia mundial, que já partilhou alguns vídeos nas redes sociais dos seus treinos, inclusive com Gisele Miró, por ocasião do cancelamento de Wimbledon.

A juntar aos três treinos de ténis semanais, na companhia do treinador brasileiro Guillerme Balboa, Gastão Elias, de 29 anos, faz trabalho físico quase diariamente.

“Não adianta massacrar o corpo com ténis diariamente, quando falta tanto tempo para voltarmos à competição. Neste momento, o meu objetivo é manter a forma física. Há grandes possibilidades de só voltarmos a jogar no próximo ano, por isso o físico vai ser fundamental”, defende.

Apesar de no Brasil a quarentena estar “a ser muito mais tranquila e das medidas variarem um pouco de estado para estado, embora o número de infetados por covid-19 esteja a aumentar”, o jogador aguarda por uma evolução favorável na pandemia para poder visitar os pais e irmã, com quem fala “quase todos os dias.”

“Eles estão bem, mas estou à espera de que a situação melhore um pouco para viajar para Portugal. Queria muito também já estar a competir, mas agora só espero que o circuito volte o mais rápido possível. Já tenho saudades de competir durante todo o ano”, confessa.

Além de reconhecer as “saudades da competição”, Gastão Elias também não esconde que muitos dos tenistas estão a passar por dificuldades devido à suspensão dos circuitos e consequente impossibilidade de ganhar dinheiro.

“Diria que para os jogadores do ‘top-100’ seja um pouco mais fácil, agora os outros estão, sem dúvida, com algumas preocupações. No meu caso, tento manter ao mínimo tudo o que são despesas, porque não se sabe quando vamos voltar a competir, mas sei de colegas que vão optar por colocar um ponto final na carreira”, admite o tenista português.

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