Observar ao vivo a comunicação de um treinador num ambiente altamente competitivo é um dos exercícios mais interessantes na avaliação da liderança de alguém com tanto impacto no desempenho dos seus liderados. Infelizmente não se pode assistir ao modo como a grande maioria dos líderes de empresas, organizações e outros projetos fala e comunica com as suas equipas. Muitas das vezes em ambientes confortáveis e mesmo quando existe stress, não há certamente adversários que na hora tentam desconstruir tudo o que essa equipa faz e têm de reagir constantemente durante o tempo da sua comunicação.

Posto isto, observar um treinador a comunicar durante os 90 minutos de um jogo mais os descontos é perceber muito do estado em que aquela equipa se encontra. O seu perfil comunicacional indica o estado anímico do treinador e da relação que tem ou não tem com a equipa ou jogadores em particular.

Sobre Jorge Jesus já aqui falei diversas vezes. As pessoas consideram-no um mau comunicador, eu, pelo contrário, considero que construiu canais comunicacionais que os jogadores entendem. Podem não gostar de determinados modos, mas é eficiente e o que se ganha são processos de jogo e não relacionais, é um facto. Mas é um treinador ‘apenas’ focado em ganhar e construir processos sustentáveis a curto prazo e esse estilo comunicacional serve perfeitamente para os seus objetivos. Que podem não ser os do seu clube, mas isso já seria outro tópico.

Sobre o treinador do Porto, Lopetegui, considero que este ano está, fruto da pressão de vencer, ainda mais ansioso e a perder o controlo nos jogos mais cedo do que acontecia na época passada. O investimento feito, que não sabemos se foi todo realizado com a concordância do treinador espanhol, traz-lhe mais responsabilidade e a sua postura em campo é de pressionar constantemente os seus jogadores. De diferente modo, mas está mais próximo da espontaneidade de Jorge Jesus em como gesticula, embora me pareça que Lopetegui perde a noção de como se desorienta na sua área de treinador. Por fim, algo que já se notava no ano passado e fica a perder para os outros treinadores dos chamados ‘grandes’, raramente alguém da sua equipa técnica o traz à realidade indo falar com ele ou dando-lhe outros dados.

Sobre Rui Vitória, mais relacional e de um modo regular, bastante interventivo, considero que a sua ansiedade e postura de reflexão constante se deve ao desequilíbrio que a equipa benfiquista ainda denota e que certamente, está longe dos parâmetros que o treinador benfiquista pretende. Uma mudança de contexto em que é necessário ajustar o que é o perfil individual de cada pessoa e treinador aos contextos e às dinâmicas próprias de cada clube e à cultura de trabalho diferente de clube para clube.

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